sexta-feira, 16 de julho de 2010

A TEMPESTADE

Título original: The Tempest
Autor: William Shakespeare (1564-1616)
Tradução: Beatriz Viégas-Faria
Editora: L&PM POCKET
Edição: 1ª
Ano: 2002
Páginas: 128

Sinopse: A Tempestade foi última peça escrita por Shakespeare. Não há uma data precisa de quando foi escrita, todavia, há indicações que a peça tenha sido escrita em 1610, seis anos antes da morte de Shakespeare e encenada a 1º de novembro de 1611 no Palácio Whitehal em Londres.

A Tempestade é uma história de ruptura entre o poder secular e o poder espiritual, de reconciliação, de amor, de perdão às conspirações oportunistas e de recuperação da ordem estabelecida.

A história contrapõe a figura disforme, selvagem e pesada dos instintos animais que habitam o homem à figura etérea, incorpórea, espiritualizada de altas aspirações humanas.

O enredo: Uma ilha é habitada por Próspero, Duque de Milão, mago de amplos poderes, e sua filha Miranda, após serem abandonados à deriva no mar, num ato de traição e usurpação política. Próspero tem a seu serviço Caliban, um escravo em terra, homem adulto e disforme, e Ariel, o espírito servil e assexuado que pode se metamorfosear em ar, água ou fogo. Os poderes eruditos e mágicos de Próspero e Ariel combinam-se e, depois de criar um naufrágio, Próspero coloca na Ilha seus desafetos (no intuito de levá-los à insanidade mental) e um príncipe, noivo em potencial para a filha. O amor acontece entre os dois jovens, a vingança de Próspero é transformada em perdão, Caliban modifica-se quando conhece os poderes inebriantes do vinho numa cena cômica com outros dois bêbados.

O significado da história: O Fato fundador da história é a usurpação do poder espiritual pelo poder terrestre. Essa usurpação é simbolizada pela rebelião de Antonio contra seu irmão Próspero. Antonio quer governar soberanamente, quer ser o senhor absoluto sobre os dois poderes (Temporal e Espiritual). Trata-se, portanto, da transgressão da lei natural das coisas; é a ruptura da ordem cósmica. Ruptura porque há uma hierarquia entre os dois poderes; o poder temporal não tem agenda própria; ele necessita buscar a agenda no poder espiritual.

No desfecho da história, Miranda e Fernanda retomam o governo de Milão e Nápoles dos quais são herdeiros legítimos.

O casamento da Miranda com o Fernando é o casamento da pureza humana (poder espiritual) com o melhor modelo humano de poder terrestre rejuvenescido e simbolizado por Fernando. Assim Próspero reata a normalidade das coisas reconstituindo a ordem no sentido de propiciar a continuidade da sociedade humana dentro da ordem cósmica recuperada.

O mal não está no exercício do poder em si mesmo; o mal está no exercício absoluto dos poderes e na inversão da hierarquia desses poderes, ou seja, colocar o poder temporal como superior ao poder espiritual. A lei dos homens, embora necessária, jamais poderá ser superior a lei Divina. É necessário haver uma hierarquia na ordem estabelecida.

É preciso, primeiro, fazer a conversão para o individual para depois pensar no social. É exatamente isso que Próspero faz ao se estabelecer numa ilha isolada. Ele escolhe uma ilha (individual) para restabelecer a ordem corrompida. Só o homem tem essa capacidade de encerrar-se em si mesmo que permite a consciência sobre o mundo. A sociedade é uma espécie de trama de relações formais que não sabemos por que fazemos.

Conclusão: A obra representa a Denúncia contra a desordem cósmica e sua reconstituição. Uma espécie de última mensagem de Shakespeare para a humanidade, pois este foi seu último livro. Ele se despede do palco e volta para sua terra natal para encerrar-se em si mesmo dando-nos uma das maiores lições sobre comportamento da humanidade ao se despedir da própria vida.
Shakespeare não foi um poeta de sua época. Tudo que ele escreveu e encenou foi para orientar o futuro da humanidade.


Sobre o autor: William Shakespeare (1564-1616) nasceu e morreu em Stradford, Inglaterra. Poeta e dramaturgo é considerado um dos mais importantes autores de todos os tempos. Filho de um rico comerciante, desde cedo Shakespeare escrevia poemas. Mais tarde associou-se ao Globe Theatre, onde conheceu a plenitude da glória e do sucesso financeiro. Depois de alcançar o triunfo e a fama, retirou-se para uma luxuosa propriedade em sua cidade natal, onde morreu. Deixou um acervo impressionante, do qual se destacam clássicos como Romeu e Julieta, Hamlet. A megera domada, O rei Lear, Macbeth, Otelo, Sonho de uma noite de verão, A tempestade, Ricardo III Júlio César, Muito barulho por nada, entre outros.

2 comentários:

José Feldman disse...

Prezado Irmão Anatoli

Perdoe-me o atrevimento, mas Shakespeare foi sim um poeta. Talvez as pessoas tenham uma visão erronea da figura do poeta, como um sofredor, como alguém que canta as belezas que não existem neste mundo. Contudo, o poeta é um sonhador sim, mas são os sonhos que constroem os caminhos para a evolução espiritual da humanidade. Shakespeare assim como todos os poetas possui inspiração divina, algo que carrega dentro de si e leva uma mensagem, sim, às pessoas. Sejam por experiencias próprias, sejam por sonhos, sejam por relances. O poeta é um visionário, pois mesmo em seus poemas mais tristes consegue carregar a beleza em si e transmitir ao mundo. O poeta é um mestre, como é o caso de Shakespeare. Existem muitos outros que assim o são, mas as pessoas só veem desabafos sentimentais contidos em suas linhas, mas não vêem que são ensinamentos, a eterna luta entre o bem e o mal. E em todos eles o bem sempre é o vencedor. Se não existisse a poesia, o mundo não existiria, pois a própria criação de Deus é um ato de poesia.
José Feldman
apenas um poeta

Anatoli. disse...

Caro Feldman:
Agradeço muito a sua intervenção. Não é atrevimento, é esclarecimento que corrobora o breve resumo "Sobre o autor" onde digo: "Poeta e dramaturgo é considerado um dos mais importantes de todos os tempos."
Continue a prestigiar este modesto blog e abrilhantar com as suas sempre bem-vindas considerações.