sexta-feira, 24 de abril de 2009

CRIME E CASTIGO

Original: Преступление и наказание
Autor: Fiódor Dostoiévski
Tradução: Paulo Bezerra.
Editora: Editora 34
Assunto: Romance (Literatura estrangeira)
Edição: 1ª
Ano: 2001
Páginas: 568

Sinopse: Publicado em 1866, 'Crime e Castigo' é a obra mais célebre de Dostoievski. Neste livro, Raskólnikov, um estudantezinho pobre e desesperado que acha que é um gênio, que acha que pode mudar o mundo perambula pelas ruas de São Petersburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria - grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História, então ele também poderia sê-lo. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

O livro é uma história de suspense envolvida por teorias políticas e sociais da época. Escrito 50 anos antes da revolução russa, refletia a visão mais ameaçadora de Dostoiévski, de que o assassinato destruiria a alma de seus compatriotas e da sociedade russa.

O livro se baseia numa visão sobre religião e existencialismo com um foco predominante no tema de alcançar salvação pelo sofrimento, sem deixar de comentar algumas questões do socialismo e niilismo.

Dostoiévski identifica o problema central dos limites da liberdade da ação humana, mas também sugere as possibilidades de redenção pelo crime.

Enredo
É julho de 1865 em São Petersburgo, Rússia.
Novas teorias da Europa Ocidental consumiram um jovem e destacado estudante das províncias. Ele é Rodion Românovitch Raskólnikov, e acabou de cometer um assassinato.

Raskólnikov ficou possuído pelas teorias de um homem grandioso, queria mostrar que era extraordinário, destinado a ser grande, livre para criar suas próprias leis e matar se julgasse correto.

Durante algumas semanas antes do assassinato, Raskólnikov manteve-se fechado em seu quarto. Perguntava-se se era mesmo extraordinário, capaz de matar por um objetivo.
Uma coisa ele sabia: Não queria ser um homem comum, atado por códigos morais comuns. Assassinato, segundo ele, poria à prova a teoria que revelaria a sua natureza. Mas alguma coisa deu errado. Um homem extraordinário aproveitaria o seu direito nato, ignorando as leis comuns, sem olhar para trás.

Raskólnikov não encontrou essa liberdade. Desde o crime foi torturado por lembranças e por um sentimento de fracasso. O castigo de Raskólnikov havia começado. É o pesadelo do caos moral.
A personagem principal, apesar de professor de línguas, é um homem paupérrimo e que vive angustiado pela sombra de se tornar alguém melhor ou fazer algo importante. Ele divide o homem em ordinário e extraordinário, numa tentativa de explicar a quebra das regras em prol do avanço humano.

Seguindo este preceito --- fazer algo que mude a sociedade ou em pró dela --- a personagem planeja, em meio a uma luta consigo, a morte de uma usurária (alguém que empresta dinheiro a juros) e, finalmente, o cumpre.

Antes de fugir da cena do crime, porém, Raskólnikov também comete, a contragosto, o assassinato de Lisavieta, irmã da velha usurária, após ela ter visto o cadáver recém-assassinado no chão.

Este personagem principal rouba algumas jóias, mas não chega a usufruir deste ganho. A polícia, apesar de estar o investigando, termina por prender um inocente que se intitulou culpado por uma razão pessoal (bem explicado no livro). Entretanto, o personagem acaba confessando o crime que cometera, devido, principalmente, a enorme influência de uma prostituta chamada Sônia, que, antes disso, compartilha com Raskólnikov algumas leituras do Novo Testamento.
Enfim, Raskólnikov acaba preso. Porém, devido à sua confissão e ótimo histórico, sua pena acaba por ser reduzida a sete anos em uma cadeia na Sibéria, durante os quais Sônia, seguindo o condenado durante toda a história, manteve-se muito presente, também servindo de mensageira a sua família em São Petersburgo.

Comentários:
Apesar de já ter se passado 143 anos este livro de Fiódor Dostoiéviski continua sendo comovente e ao mesmo tempo impressionante. A partir do crime de Raskólnikov cometido para comprovar uma polêmica teoria, Dostoiéviski traça uma complexa trama cujo pano de fundo social e político nos mostra uma época em que a Rússia estava totalmente tomada pelo caos e que faria com que ocorresse a Revolução Bolchevique, em 1917 e a tomada do poder pelo povo com conseqüências desastrosas. Apesar de dar ênfase no crime de Raskólnikov criando cenas de muita tensão e angústia, o que mais chama a atenção nesta obra de Dostoiéviski é forma com que este retrata a situação de miséria e degradação social em que vivia a maioria da população russa. Destaque também para o ótimo trabalho de Paulo Bezerra e o cuidado da edição cheia de notas explicativas sobre os costumes literatura e História da Rússia. Crime e Castigo é sobre a ocorrência de um crime em circunstâncias e por um motivo absurdo mais acima de tudo trata-se de uma estória que demonstra que única forma de se redimir do mal que foi causado é através do amor. Sem dúvida é uma obra-prima e que deve ser lida por aqueles que apreciam uma leitura de qualidade que não é apenas uma forma de entretenimento, mas também de reflexão nestes tempos tão confusos e difíceis. Os tempos mudaram mais infelizmente algumas preocupações continuam as mesmas.

Crime e Castigo é um romance que descreve o funcionamento da mente revolucionária que é a base dos movimentos totalitários contemporâneos.

2 comentários:

Millena P. Santos disse...

Parabéns pelo bem escrito texto. Agora sei onde encontrar comentários tão bem pautados dos meus queridos clássicos.

Luiz Henrique disse...

Anatoli, obrigado mais uma vez pelo seu trabalho, os comentários tem me ajudado a entender melhor essas grandes obras. Tenho me interessado sobre o tema da formação e educação do imaginário. Tenho algumas dúvidas sobre os conceitos de imaginação moral, diabólica, etc. Tem algum livro que possa me indicar que trate do estudo ou dos conceitos desses tipos de imaginação?