Título original: Das Schloss
Autor: Franz Kafka (1883-1924)
Tradução: Modesto Carone
Editora: Companhia das Letras
Assunto: Romance (Literatura estrangeira)
Edição: 1ª
Autor: Franz Kafka (1883-1924)
Tradução: Modesto Carone
Editora: Companhia das Letras
Assunto: Romance (Literatura estrangeira)
Edição: 1ª
Ano: 2000
Páginas: 488
O Castelo foi escrito em 1922. Publicado (post-morten) em sua primeira edição em 1926 pela editora Kurt Wolff de Munique. A tradução de Modesto Carone dá-se a partir de edição crítica de Malcolm Pasley de 1982.
O cenário em que se passa a estória é a aldeia de Wossek, de onde a família de Kafka era originária. O Castelo é a “casa grande” senhorial da aldeia.
Páginas: 488
O Castelo foi escrito em 1922. Publicado (post-morten) em sua primeira edição em 1926 pela editora Kurt Wolff de Munique. A tradução de Modesto Carone dá-se a partir de edição crítica de Malcolm Pasley de 1982.
O cenário em que se passa a estória é a aldeia de Wossek, de onde a família de Kafka era originária. O Castelo é a “casa grande” senhorial da aldeia.

As personagens principais são K., o agrimensor protagonista; os duplos Jeremias e Artur ajudantes de K.; Frieda, uma balconista do bar da Hospedaria dos Senhores; Olga, de uma família decadente socialmente; Barnabás, irmão de Olga, sapateiro e correspondente do castelo com a aldeia; Amália, irmã de Olga e heroina da estória; Klamm, alto funcionário do castelo; Pepi, uma empregada da Hospedaria dos Senhores; Gardena, dona do Albergue da Ponte e mãe de criação de Frieda; Sortini, funcionário do castelo; entre outros.
Interpretação da obra:
As interpretações do livro são muitas, desde simplesmente uma crítica à burocracia estatal (interpretação weberiana) até uma visão religiosa, mais especificamente judaica. Há também uma visão psicológica dizendo que o castelo seria o incosciente de K. e a aldeia sua consciência. Como a obra kafkiana é muito aberta, muito simbólica e muito alegórica, permite inúmeras interpretações possíveis, característica de todas as grandes obras.
Para uma interpretação mais precisa da obra, é preciso encontrar respostas para as seguintes perguntas: Quem é K.? Por que K. quer falar com o Castelo? Por que K. não reconhece os seus ajudantes? Por que K. quer se livrar de seus ajudantes? O que o Castelo representa?
O que se sabe sobre K. é muito vago: sabe-se que foi contratado como agrimensor, que tem uma mulher, um filho; não se sabe de onde ele apareceu. Não há nenhuma descrição corpórea dele. Ele não tem verdadeiramente um corpo. Ele é uma pessoa incerta, obscura e suspeita. Tudo nele é dúbio. Só se sabe que ele quer, obstinadamente, falar com o Castelo; ele quer alguma coisa do Castelo. Essa coisa é a chave da interpretação da obra.
K. quer falar com o Castelo porque ele quer uma identidade, deseja legitimar a sua situação e assim obter o reconhecimento de que ele é alguma coisa, pois ele não existe de fato; não tem consistência humana. Essa identidade, reconhecimento e legitimação precisa vir de cima para que seja aceito na aldeia.
K. não reconhece seus ajudantes Artur e Jeremias porque na realidade os ajudantes são duplos de K.; são ele mesmo; são o pedaço da sua realidade que ele não aceita e com a qual não quer se confrontar. A chegada dos duplos significa a recuperação da unidade da pessoa de K. mas ele não percebe isso.
K. quer se livrar de seus ajudantes porque não consegue compreender que eles representam a totalidade da condição humana e com isso não percebe eles são ele próprio.
Aquilo que se chama Castelo representa uma instância superior (o conde), mas também encerra coisas demoníacas (os subalternos). A parte de cima do castelo representada pelo conde, simboliza Deus; a parte baixa do castelo representada pelos subalternos é diabólica e simboliza a natureza abissal. Trata-se, portanto, da relação entre o firmamento de luzes e o abismo de trevas.
Conclusão:
A natureza humana é colocada numa tensão entre o Céu (Firmamento de Luzes) e a Terra (Abismo de Trevas). Os duplos: Jeremias representa o Céu e Artur representa a Terra e K. para recuperar a sua unidade teria de compreender que sua própria natureza é um eterno conflito entre o firmamento de luzes e o abismo de trevas.
K. não foi reconhecido de fato pelo Castelo, porque primeiro ele teria que reconhecer a si próprio, coisa que ele não foi capaz por não enxergar em seus ajudantes Jeremias e Artur, pedaços de sua própria unidade.
Os demônios subalternos do castelo (anjos caídos) aplicam todos os meios para que o homem não compreenda a sua realidade e natureza e assim impedem o encontro do homem com a Unidade. A única personagem que não entra no jogo demoníaco é Amália, a verdadeira heroína da estória.
K. faz o jogo demoníaco do mundo material: exige ser reconhecido sem se reconhecer primeiro, pensando que pode derrotar o sistema divino utilizando subterfúgios humanos. Acontece que ele só fala com o sistema de baixo, o sistema demoníaco que não passa de um jogo da mentira do castelo com a mentira da aldeia.
Sobre o autor: FRANZ KAFKA Nasceu em Praga, na Boêmia (hoje República Tcheca), em 1883. Fez seus estudos na cidade natal, formando-se em direito em 1906. Tuberculoso, alternou temporadas em sanatórios com o trabalho burocrático. Jamais deixou de escrever, embora tenha publicado pouco e, já no fim da vida, pedido inutilmente ao amigo Max Brod que queimasse seus escritos. A maior parte de sua obra, toda escrita em alemão, foi publicada após sua morte, que ocorreu em 1924, num sanatório perto de Viena. Kafka morreu de fome e sede, devido a tuberculose alojada na garganta que o impedia de comer e beber considerando que a medicina da época não dispunha de recursos de hoje. Quase desconhecido em vida, é considerado hoje um dos maiores escritores deste século.
As interpretações do livro são muitas, desde simplesmente uma crítica à burocracia estatal (interpretação weberiana) até uma visão religiosa, mais especificamente judaica. Há também uma visão psicológica dizendo que o castelo seria o incosciente de K. e a aldeia sua consciência. Como a obra kafkiana é muito aberta, muito simbólica e muito alegórica, permite inúmeras interpretações possíveis, característica de todas as grandes obras.
Para uma interpretação mais precisa da obra, é preciso encontrar respostas para as seguintes perguntas: Quem é K.? Por que K. quer falar com o Castelo? Por que K. não reconhece os seus ajudantes? Por que K. quer se livrar de seus ajudantes? O que o Castelo representa?
O que se sabe sobre K. é muito vago: sabe-se que foi contratado como agrimensor, que tem uma mulher, um filho; não se sabe de onde ele apareceu. Não há nenhuma descrição corpórea dele. Ele não tem verdadeiramente um corpo. Ele é uma pessoa incerta, obscura e suspeita. Tudo nele é dúbio. Só se sabe que ele quer, obstinadamente, falar com o Castelo; ele quer alguma coisa do Castelo. Essa coisa é a chave da interpretação da obra.
K. quer falar com o Castelo porque ele quer uma identidade, deseja legitimar a sua situação e assim obter o reconhecimento de que ele é alguma coisa, pois ele não existe de fato; não tem consistência humana. Essa identidade, reconhecimento e legitimação precisa vir de cima para que seja aceito na aldeia.
K. não reconhece seus ajudantes Artur e Jeremias porque na realidade os ajudantes são duplos de K.; são ele mesmo; são o pedaço da sua realidade que ele não aceita e com a qual não quer se confrontar. A chegada dos duplos significa a recuperação da unidade da pessoa de K. mas ele não percebe isso.
K. quer se livrar de seus ajudantes porque não consegue compreender que eles representam a totalidade da condição humana e com isso não percebe eles são ele próprio.
Aquilo que se chama Castelo representa uma instância superior (o conde), mas também encerra coisas demoníacas (os subalternos). A parte de cima do castelo representada pelo conde, simboliza Deus; a parte baixa do castelo representada pelos subalternos é diabólica e simboliza a natureza abissal. Trata-se, portanto, da relação entre o firmamento de luzes e o abismo de trevas.
Conclusão:
A natureza humana é colocada numa tensão entre o Céu (Firmamento de Luzes) e a Terra (Abismo de Trevas). Os duplos: Jeremias representa o Céu e Artur representa a Terra e K. para recuperar a sua unidade teria de compreender que sua própria natureza é um eterno conflito entre o firmamento de luzes e o abismo de trevas.
K. não foi reconhecido de fato pelo Castelo, porque primeiro ele teria que reconhecer a si próprio, coisa que ele não foi capaz por não enxergar em seus ajudantes Jeremias e Artur, pedaços de sua própria unidade.
Os demônios subalternos do castelo (anjos caídos) aplicam todos os meios para que o homem não compreenda a sua realidade e natureza e assim impedem o encontro do homem com a Unidade. A única personagem que não entra no jogo demoníaco é Amália, a verdadeira heroína da estória.
K. faz o jogo demoníaco do mundo material: exige ser reconhecido sem se reconhecer primeiro, pensando que pode derrotar o sistema divino utilizando subterfúgios humanos. Acontece que ele só fala com o sistema de baixo, o sistema demoníaco que não passa de um jogo da mentira do castelo com a mentira da aldeia.
Sobre o autor: FRANZ KAFKA Nasceu em Praga, na Boêmia (hoje República Tcheca), em 1883. Fez seus estudos na cidade natal, formando-se em direito em 1906. Tuberculoso, alternou temporadas em sanatórios com o trabalho burocrático. Jamais deixou de escrever, embora tenha publicado pouco e, já no fim da vida, pedido inutilmente ao amigo Max Brod que queimasse seus escritos. A maior parte de sua obra, toda escrita em alemão, foi publicada após sua morte, que ocorreu em 1924, num sanatório perto de Viena. Kafka morreu de fome e sede, devido a tuberculose alojada na garganta que o impedia de comer e beber considerando que a medicina da época não dispunha de recursos de hoje. Quase desconhecido em vida, é considerado hoje um dos maiores escritores deste século.
Um comentário:
Muito bom o seu texto, Anatoli. Adoro as obras dúbias, porque elas refletem o mundo como ele é: repleto de uma incerteza desesperadora.
Agora, sobre a sua interpretação, duas passagens no Livro me fazem pensar que o Castelo difere de uma figura divina: primeiro, ainda no começo da narrativa, K observa que o castelo aceitava o desafio "com um sorriso"; já quase no final, em diálogo com a senhoria, retruca-lhe que ela estava também mentindo -- em outras palavras, admite não ser realmente agrimensor. Ele estava mentindo, Artur e Jeremias são parte da mentira.
Portanto, parece que o castelo, aparentemente sereno em sua impenetrabilidade, é também parte da tragédia do absurdo, nem mesmo ele pode dar sentido à vida de K. Não se identifica com o Deus, mas tortura o homem. Os próprios funcionários dão mostra de uma desorganização interna ao admitirem a entrada de K na vila, e mais ainda a levarem a sério o seu caso, e ainda outra vez por temerem admitir um erro burocrático e não poderem saná-lo.
Longuíssimo post, desculpe! Pode me responder em meu blog, estarei mais do que feliz em discutir essa obra-prima!
http://o-quasar.blogspot.com/
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