Autor: Evguêni Zamiátin
Tradução: Gabriela Soares
Gênero: Ficção
Lançamento: 2021
Editora: Aleph
Páginas: 328
Descrição
Em “Nós”, acompanhamos através das anotações do engenheiro D-503, que
narra a vivência dentro de um Estado totalitário de perfeição matemática onde
não há nomes, apenas números, e a individualidade é tratada como doença.
Escrito entre 1920 e 1921, este romance inaugurou a tradição da distopia
literária do século XX, sendo o precursor de ‘1984’ e ‘Admirável Mundo Novo’, e
referência obrigatória para compreender a ficção política moderna.
Em nome de um suposto bem coletivo, um governo totalitário priva a
população de direitos fundamentais como o livre arbítrio, individualidade e
liberdade de expressão. Chamado de Estado Único, esse regime opressivo cria uma
sociedade completamente mecanizada e lógica, em que os horários de trabalho, de
lazer, das refeições e até do sexo são extremamente regulados. Um mundo onde as
pessoas não possuem nome, mas um número.
D-503, um engenheiro que vive pleno e feliz – exatamente como ordena o
grandioso Estado Único – começa a duvidar das próprias convicções ao conhecer
uma mulher misteriosa que comete a ousadia de burlar as regras impostas, e que
mostra a ele uma outra forma de enxergar a sociedade.
O sentido principal do livro é criticar a anulação do indivíduo em favor
de um coletivismo totalitário e cego.
A história se passa em uma sociedade futurista onde as pessoas não têm
nomes, apenas números (como o protagonista D-503).
O governo controla cada segundo do dia, os pensamentos e até o amor,
pregando que a felicidade absoluta vem da submissão total à engrenagem social.
O título mostra a luta entre a individualidade (o “eu”) e a massa
cinzenta e uniforme (o “nós”) imposta pelo poder.
Zamiátin usou a ficção para alertar sobre os perigos de sistemas
opressores, antecipando tanto os excessos do regime soviético quanto a
burocratização extrema da vida humana.
A obra defende que a alma, a imaginação, o erro e a paixão – por mais caóticos
que pareçam – são partes irredutíveis e essenciais da liberdade humana.
Zamiátin tornou-se alvo de uma violenta campanha de difamação pública e
censura estatal promovida pela Associação de Escritores Proletários. Suas obras
foram banidas de teatros, livrarias e bibliotecas, o que ele descreveu como uma
"morte literária". O estopim foi a publicação no exterior de seu
romance distópico _Nós_ (obra que inspirou clássicos como 1984, de George
Orwell).
Curiosidade
Em junho de 1931, sem alternativas para trabalhar ou sobreviver, Zamiátin
escreveu uma carta corajosa e direta a Yosef Stalin, solicitando formalmente
autorização para viajar ao exterior com sua esposa.
Yosef Stalin concedeu autorização para o escritor russo Ievguêni Zamiátin
deixar a União Soviética em 1931.
Essa concessão foi considerada um fato surpreendente e altamente incomum
para a época, dado o rígido controle de fronteiras e o isolamento que o regime
soviético impunha aos seus cidadãos.
O ditador soviético provavelmente aceitou o pedido devido à decisiva
intercessão do renomado escritor Máximo Gorky, que tinha grande prestígio com
Stalin e agiu como patrono de Zamiátin nessa situação.
Zamiátin deixou o país no final de 1931 com o status de cidadão soviético
em viagem temporária. Ele se estabeleceu em Paris, na França, onde viveu no
exílio até sua morte em 1937, sem nunca ter retornado à sua terra natal. Devido
à permissão de Stalin, ele ironicamente escapou dos brutais expurgos do Grande
Terror soviético que ocorreriam no final da década de 1930.
Sobre o Autor: Ievguêni Zamiátin nasceu na Rússia em 1884. Formou-se em engenharia, mas se tornou escritor de ficção nas horas vagas. Autor de diversos contos, peças de teatro e romances, também trabalhou como editor das traduções russas de autores como Jack London e H. G, Wells. Sua obra mais famosa é Nos, distopia que inspirou Admirável Mundo Novo e 1984. Zamiátin foi preso e exilado diversa vezes, mas seu degredo final foi voluntário - ele solicitou a Stalin que o deixasse viver em Paris, pois estava proibido de publicar seus textos na sua terra natal. Faleceu em 1937.
