segunda-feira, 1 de junho de 2015

O PROCESSO MAURIZIUS

Título original: Der Fall Maurizius
Autor: Jakob Wassermann
Tradução: Octávio de Faria e Adonias Filho
Editora: Abril
Assunto: Romance
Edição: 1ª
Ano: 1975
Páginas: 412

Sinopse: O livro narra os conflitos do jovem Etzel Andergast com seu pai, Barão Wolf de Andergast, juiz respeitado, austero e conservador. O jovem descobre que seu pai condenou um homem inocente, se interessa pelo caso e se envolve tentando resolvê-lo. Para tanto, sai de casa e procura conseguir provas para libertar o homem que o pai condenara.
O romance mostra o marcante contraste entre a justiça ideal e a abstrata, e a aplicação de seus preceitos no mundo dos homens.


Resumo da narrativa: O barão Wolf de Andergast divorciou-se da esposa quando seu filho Etzel tinha seis anos e meio de idade. As cláusulas do divórcio proibiam a mãe de aproximar-se do filho, ou até mesmo escrever para ele. De forma que Etzel foi criado por madame Rie, a governanta da casa.
Ao completar os 16 anos de idade, o jovem Etzel descobre que seu pai cometeu um erro ao condenar um inocente, se interessa pelo caso e decide corrigi-lo. Sai de casa, e viaja até Berlim na busca de provas que pudessem inocentar Leonardo Maurizius preso por um crime que não cometera.
O barão Wolf von Andergast, quando era ainda um jovem promotor, foi o responsável pela acusação contra Leonardo Maurizius de assassinato da esposa que culminou com a condenação deste a prisão perpétua. Quase vinte anos depois, o barão retoma o estudo dos autos do processo e descobre que cometeu um erro condenado um inocente.
Etzel, inconformado com a prisão injusta de Leonardo Maurizius, foge de casa para descobrir a verdade. Em Berlim, Etzel encontra Waremme cujo nome verdadeiro é George Warschauer e procura obter informações sobre o assassinato da esposa de Maurízius.
Promove o indulto de Maurizius, mas o seu filho Etzel não se conforma com um simples indulto, ele quer uma justiça perfeita e absoluta.
O Processo Maurizius, não é um livro de literatura jurídica ou de aventura forense. Ao que parece, vai se seguindo a vida de Etzel Andergast, filho do Barão, entusiasta ao seu próprio modo do seu próprio conceito de justiça. Um conceito, eu diria, bastante responsável, raro ao atribuir o encargo pessoal de se agir segundo a repulsa que a injustiça provoca, mas adolescente e ingênuo, por acreditar que tudo possa ou mereça ser mudado.

  • Etzel Andergast, filho do juiz Wolf Andergast, para recuperar a justiça, denuncia o erro judiciário de seu pai contra Leonardo Maurizius. Acontece que o denunciante só conhece parte da verdade e desconhece completamente as conseqüências de seu ato. Como resultado acaba destruindo a carreira de Wolf Andergast, seu pai, por conta de sua rebelião metafísica disfarçada sob a aparente de defesa da justiça.
  • Ao longo da história, Etzel vai mudando o seu comportamento que é percebido pelo seu professor.
  • O comportamento do barão, diante da revolta contra a situação de uma falha de julgamento no processo, começa a mudar também até destruí-lo completamente.

Interpretação da obra:
- Prof. José Monir Nasser

Perfil das personagens da obra:

§  Etzel Andergast: Um menino de 16 anos, míope*, que não conhecia a mãe por conta de um divórcio. Desprovido de emoção, se considera predominantemente racional e ponto de vista objetivo. Revoltado com as injustiças do mundo e não admitia o contraditório. Seu discurso é existencialista e no fundo Etzel é um niilista. (* A miopia de Etzel é um dado importante na interpretação da obra).

§  Barão Wolf Andergast: Pai de Etzel. Procurador de justiça, homem austero que “se deixara penetrar até o âmago pela consciência da nobreza superior do seu dever e do seu ministério” e “excessivamente absorvido pelo trabalho da sua profissão”. Não tinha vida social e não gostava de aparecer em público. Passava duas horas por dia, à noite, para conversa com o filho, compromisso que “entrava no plano de sua vida do mesmo modo como o estudo dos autos”. A conversa começava sempre com “perguntas inofensivas” e terminava com altos debates.
§  Sofia Andergast: Mãe de Etzel, divorciada do barão de Andergast e afastada do filho Etzel por conta de uma traição conjugal ao marido.
§  Generala Andergast: Avó de Etzel.
§  Oto Leonardo Maurizius: Condenado à morte quando o barão de Andergast ainda era juiz. Teve sua pena comutada para prisão perpétua e libertado pelo próprio barão após ter cumprido 18 anos na cadeia.
§  Eli Hensolt (Eli Jahn quando solteira): Esposa de Maurízius que fora assassinada cuja culpa recaíra sobre o marido.
§  Gregório Waremme (George Warschauer): Testemunha-chave na condenação de Leonardo Maurízius. Ninguém sabia nada sobre a sua procedência ou quem ele era “só o diabo sabe o que é preciso fazer para retratá-lo”.
§  Ana Jahn: Irmã de Eli Hensolt. Com a morte da irmã Eli a fortuna da família havia passado para ela.
§  Rie: Governanta da casa que criara Etzel no lugar da mãe.

Dados do problema:
  • Rebelião absoluta de Etzel contra o pai por conta do divórcio com a mãe.
  • Etzel Atribui ao pai todas as injustiças do mundo. É a revolta contra o espírito.
  • Etzel não admite o contraditório. (“Há conflito de deveres ou existe um só e único dever?”) um de seus questionamentos.
  • O discurso de Etzel é um discurso existencialista; um discurso contra o Espírito e contra Deus.
“No coração desta conspiração ou no centro desta aliança, pouco importa, está meu pai”.
“Foi ele quem tomou as medidas, é ele quem tem todos os fios nas mãos. Tudo o que o embaraça, ele o exclui: qualquer curiosidade ou reclamação, qualquer espírito de pesquisa. As coisas sucedem assim e ele quer que sucedam assim. E, como é todo poderoso, as coisas realmente sucedem assim...” 

Etzel sente tudo isso como uma injustiça. Pergunta a si mesmo se deve continuar a se submeter.
  • Etzel na verdade não quer “recuperar” a justiça, o que ele quer é se vingar do pai, destruindo-o. O pai aqui simboliza o espírito.
  • O casamento de Maurizius foi um casamento de conveniência. Ele era 16 anos mais novo que a esposa; a esposa tinha um dote de 80 mil francos, isso o colocava como suspeito principal na morte de sua esposa.
  • O que aconteceu na Alemanha não é um problema do povo alemão, é um problema humano. Poderia ter acontecido com qualquer povo.
  • Deve-se retirar a conotação histórica do problema alemão da obra de Wassermann.
  •  
Conclusão
§  Etzel quer se vingar do pai por causa da mãe. É a vingança contra o Espírito.
§  A mãe simboliza o Amor.
§  O pai simboliza o Espírito.
§  Por essa razão as crianças devem ser criadas pela mãe que é o amor.
§  Etzel está revoltado contra o Espírito porque este lhe tirou a possibilidade do amor. Ele quer a derrota do pai para se colocar no seu lugar. Aqui está a explicação porque Etzel não é emocional, mas racional.
§  A justiça do pai é imperfeita e Etzel vai procurar a justiça perfeita, porque ele julga que o mundo é imperfeito. Eis aqui a rebelião metafísica.
§  Etzel é um rebelado metafísico, um narcisista do mais alto calibre, que quer construir um “mundo perfeito” por meio da “justiça perfeita”.
§  A condição para o mundo existir é ter um grau de perfeição menor que a perfeição de Deus. Se o mundo fosse tão perfeito quanto Deus, então não existiria Deus. A imperfeição do mundo é uma espécie de preço que nós pagamos para viver nele.
§  Em resumo: Etzel é um rebelado contra Deus que tem o delírio da onipotência.


sexta-feira, 1 de maio de 2015

SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR

Título original: Sei Personaggi in cerca d´Autore
Autor: Luigi Pirandello (1867-1936)
Tradução: Brutus Pedreira
Editora: Abril
Assunto: Drama
Edição: s/ ref.
Ano: 1978
Páginas: 138 (325-463)

Sinopse: Escrita em 1921, Seis personagens à procura de autor, de Luigi Pirandello (1867-1936), relata um ensaio de teatro. O ensaio é invadido por seis personagens que, rejeitadas por seu criador, tentam convencer o diretor da companhia a encenar suas vidas.
No início, o diretor fica perturbado por ter seu ensaio interrompido, mas aos poucos começa a interessar-se pela situação inusitada que se apresenta diante de seus olhos. As personagens o convidam a encenar suas vidas, mostrando que mereciam ter uma chance. Com isso, acabam convencendo-o a tornar-se autor e tentam mostrar ao diretor que suas vidas são reais.

Comentários: “Luigi Pirandello é o maior renovador do teatro italiano e uma das maiores influências sobre o teatro moderno. Há quem veja nele o precursor do teatro do absurdo de Beckett e Ionesco. Originário da Sicília, região de fraca herança cultural, cresceu sob o Risorgimento, o movimento de unificação da Itália. Otto Maria Carpeaux diz que Pirandello tem três fases: a siciliana, a italiana e a europeia, transcendendo sua origem provinciana e atingindo a universalidade. Correspondentemente, o eixo da obra madura de Pirandello é o drama da identidade humana, de que é o maior intérprete dramático.
Apresentada pela primeira vez em 1921 no Teatro Valle em Roma, “Seis Personagens à Procura de um Autor” foi recebida com hostilidade, aos gritos de “Manicômio”, “Manicômio”. A apresentação subseqüente, em Milão, foi bem recebida. A peça aos poucos evoluiu para aceitação plena, até virar um clássico.
As discussões entre as personagens e o diretor compõem uma análise filosófica do teatro e da perda de consciência da existência humana, dentro da temática preferida de Pirandello que é a procura da identidade humana, ou seja: Quem somos nós? Assim, o peso da peça divide-se entre a narrativa em si, e os aspectos paratextuais, que ganham a cena.
Diretor e personagens discutindo constroem também uma querela de formas de fazer teatro. As personagens, tentando mostrar ao diretor que suas vidas são reais, em relação ao palco, e ele defendendo a relatividade do que está sobre o palco, toma como parâmetro a vida "real". A peça entra, assim, em um outro aspecto: torna-se um estudo metalingüístico do teatro, a arte discutindo a si mesma. A forma de representação proposta pelo diretor não é aceita pelas personagens. Não querem ser representadas pelos atores da companhia. Afinal, como alguém poderia representar melhor a vida de uma personagem do que ela própria?” (José Monir Nasser).

Resumo da narrativa: Pirandello nos apresenta a estória de uma família de personagens que invade o ensaio de uma companhia teatral. De acordo com o artifício da ficção, as personagens de uma peça teatral estão consubstanciadas, agindo e atuando no mundo real, mas sofrem de uma forte lacuna de sua própria constituição, que é o fato de sentirem a necessidade de encontrar um lugar ou uma estória em que possam viver seus “dramas internos”. Isto acontece, dentro do contexto da peça, por conta da negligência do dramaturgo, que os criou, dando um conflito e uma vida interna a cada um deles, mas que desistiu de inventar uma estória necessária para fazê-los viver. A tensão do drama está contida no espanto e na dificuldade em que o diretor da companhia e os atores têm em compreender a “vida” extraordinária dessas personagens. Deste ponto, Pirandello explora diversas situações limites, que oscilam entre o trágico e o cômico, e, ao mesmo tempo, discute diversos aspectos da natureza da personagem de ficção. O principal ponto de partida do dramaturgo é evidenciar que a “verdade” da personagem de ficção pode, muitas vezes, ser mais forte do que a “verdade” do ser humano. A personagem de ficção assim figura, pois ela está fixada no texto em todos os seus traços e seus conflitos, enquanto o ser humano é uma entidade em constante transformação e variação. No decorrer desse confronto entre essas duas “verdades”, fica evidenciado também que o que garante a “vida da personagem” e a “noção de identidade” num indivíduo do mundo real é um mesmo elemento: uma ficção, uma construção artificial. Enquanto na personagem esta construção permanece pronta e acabada, no ser humano, por estar vivo, ela permanece sempre indefinida e inacabada.
Trechos do livro:
“Mas por que – disse para mim mesmo – não descrever um caso como este, realmente inédito, de um autor que se recusa a dar vida a algumas de suas personagens já nascidas vivas na fantasia dele, bem como o caso de como essas personagens, por possuírem definitivamente, em si próprias, a vida, não aceitam ficar fora do mundo da arte? Afinal elas não estão separadas de mim, já vivem por sua conta, adquiriram voz e movimento, portanto, já se tornaram, por si mesmas, personagens dramáticas, mediante a luta pela vida que tiveram de travar comigo; personagens que podem mexer-se a falar por si sós; vêem a si próprias como personagens; aprenderam a se defender de mim e saberão defender-se igualmente dos outros. Então, vamos deixá-las ir para onde costumam se dirigir, a fim de poderem viver como personagens dramáticas: para o palco. E vamos ver o que acontece.” (p. 329)
“Dessas seis personagens, portanto, aceitei o ‘ser’ e recusei a razão de ser. Delas peguei o organismo, do qual tirei a função existente, emprestando-lhe outra mais complexa, onde a delas entra apenas como um dado de fato.” (p. 333)
“Tudo o que tem vida, justamente pelo fato de viver, possui forma e, por isso, está sujeito a morrer. Com a obra de arte, porém, acontece o contrário: ela se perpetua viva, justamente porque é a forma.” (p.339)
“Uma personagem, senhor, pode sempre perguntar a um homem quem ele é. Porque uma personagem tem, verdadeiramente, uma vida sua, assinalada por caracteres próprios, em virtude dos quais é sempre ‘alguém’. Enquanto que um homem – não me refiro ao senhor agora – um homem, assim, genericamente, pode não ser ninguém.” (p.444)

Interpretação da obra:
1.      As personagens são imortais e eternas.
2.      Os atores são farsantes e volúveis.
3.      A personagem tem existência fixa.
4.      As personagens são mais duráveis que seus autores e atores.
5.      A personagem não existe sem um ator.
6.      As personagens precisam ser criadas por um autor. É o autor que faz a personagem existir.
7.      As personagens são esquemas abstratos e só existem na boca dos atores.
8.      A personagem é perpétua; para ela o tempo não existe!
9.      A personagem vive sempre o momento eterno.
10. A personagem é alguma coisa: o homem pode não ser.
11. A personagem só existe no contexto para a qual ela foi criada.

Entendendo a Obra:
1.      Vida real e vida teatral.
2.      Arte é imitação da vida. Arte não pode ter vida, a vida é mais complexa que a arte.
3.      A arte não pode ser idêntica à realidade, mas ela tem que ser verossímil.
4.      A arte não consegue substituir a realidade.
5.      As personagens da obra foram rejeitadas pelo autor.
6.      As personagens não parecem mais humanas que os atores? Por quê? Porque elas representam a humanidade propriamente dita.
7.      O que se pode compreender da futilidade dos atores?
8.      As personagens estão a busca do seu criador.
9.      O que o criador representa? A saudade do Paraíso perdido pelo pecado.
10. O que as personagens querem recuperar? O sentido da vida.
11. Os atores representam o projeto da vida humana.
12. As personagens são rebeladas contra o destino.
13. O homem está infeliz com aquilo que ele é.
14. Esta é uma história da perda da consciência da existência humana.
(José Monir Nasser)


quarta-feira, 1 de abril de 2015

FERNÃO CAPELO GAIVOTA


A História de Fernão Capelo Gaivota
Autor: Richard Bach
Título original: A Story Jonatham Livingston Seagull
Editora: Editorial Nórdica Ltda - Rio de Janeiro, 1970
Tradução: Antônio Ramos Rosa e Madalena Rosález

Este livro, publicado em 1970 é um hino à liberdade e o vôo para além de limites provisórios. O autor, através de uma metáfora, trata do tema transcendência de um modo tocante e sublime, utilizando-se de uma gaivota cuja personalidade e os conflitos são universais.
O trecho a seguir, resume todo o sentido da obra. Faça uma analogia com seres humanos e compreenderá a profundidade da mensagem que a metáfora transmite.
“A maior parte das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que os simples fatos do vôo - como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar.”
Esta obra é dedicada ao verdadeiro Fernão Capelo Gaivota que vive em todos nós, mas que precisa ser despertado.

O vôo de Richard ‘Capelo Gaivota’ Bach

O escritor Richard Bach, no Brasil: aviador que não gosta de viajar
Fernão Capelo Gaivota, o romance que marcou diversas gerações de adolescentes, viajou 43 países do mundo e chegou a 40 milhões de cópias vendidas. Já o autor da célebre história da gaivota que busca seu vôo próprio, o aviador norte-americano Richard Bach, 63 anos, está em sua terceira viagem internacional. Ele veio ao Brasil em companhia de Bárbara, sua segunda mulher, para o lançamento do livro Mensagens Para Sempre, compilação das melhores frases de suas obras, um lançamento da Editora Vergara & Riba na América Latina.
Animado com a possibilidade de ver as constelações do hemisfério sul, Bach se confessa introvertido e avesso a grandes aventuras. Prefere explorar seu próprio mundo interior e deixar os grandes vôos para os personagens de seus livros – todos desdobramentos de seu maior sucesso editorial, lançado em 1970.
Fernão Capelo surgiu na vida de Richard Bach quando ele era ainda garoto. Costumava esconder-se do vento atrás de uma pedra, às margens do oceano, para observar as gaivotas. “Nunca havia entrado num avião, mas já adorava voar e sonhava ser uma gaivota”, lembra ele, com lágrimas nos olhos.
Anos depois, andava pelas ruas da Califórnia – “como muitos escritores novos, pensando como faria para pagar meu aluguel” - e ouviu uma voz. “Dizia: ‘Fernão Capelo Gaivota’”, conta ele. “Estava assustado e disse: ‘Se você acha que eu sei o que Fernão Capelo Gaivota significa, está enganado. Deve ter me confundido com outra pessoa’.” Silêncio do outro lado. Bach sentou-se para escrever. “Senti a parede desaparecer e em seu lugar vi a imagem da primeira página do livro”, conta. Descreveu em palavras as cenas que apareciam diante de seus olhos por cerca de uma hora, até que, como se tivessem desligado um projetor, a figura sumiu. “Alguma coisa me disse: ‘Se você acredita que é o autor desta história, termine-a’”.
Oito anos e muitas tentativas frustradas depois, o escritor acordou de um sonho que lhe indicava a continuação da história. Só então terminou o livro. Com tantas forças sobrenaturais fazendo com que a obra se concretizasse, dificuldades na publicação era tudo o que Bach não imaginava. “Fernão Capelo Gaivota foi meu livro mais rejeitado”, conta ele, que antes havia escrito três livros.
Perseverante, resistiu a 18 respostas negativas de editoras até conseguir publicar o livro que se tornaria um dos maiores fenômenos editoriais das últimas décadas. Pela primeira vez na vida, Richard ganhou muito dinheiro. Mas a ganância falou mais alto: comprou oito aviões, administrou mal os investimentos e perdeu tudo. “Toda a bênção pode revelar-se um desastre e todo o desastre, uma bênção”, filosofa. “O desastre me ensinou que o maior presente que alguém pode ter é amor.”
Como a escrita, a aviação sempre esteve presente na vida de Richard. Seus livros são, inclusive, reflexos de sua paixão pelo mundo aerodinâmico. “A abrangência das minhas histórias me surpreendeu. Pensei que só aviadores entenderiam minhas palavras”, diz. O amor pelos aviões nasceu com o escritor, mas só se concretizou aos 17 anos, quando ele se alistou na Força Aérea Americana. “Comecei limpando as máquinas, pelo simples prazer de tocá-las”, confessa Bach, que trocou a aviação pela literatura dois anos depois. “Já escrevi 11 livros e tenho um projeto de mais 50”, diz ele.

Música tema do filme: BE



Seja um Fernão Capelo Gaivota


Numa praia, havia uma porção de gaivotas em busca de seu alimento enquanto apenas uma, sozinha, tentava voar de maneira diferente das outras, de uma forma muito especial, mas não conseguia, caia. Só que nunca desistia! Tentava voar cada vez melhor!
Quando finalmente conseguiu, descobriu o quanto se amava e o real sentido de viver!
Descobriu que podia aprender a voar, ser livre!
Agora o importante não era receber elogios por sua vitória, queria apenas partilhar com seus amigos o que havia descoberto. Mas eles só lembravam de comer os restos deixados pelos pescadores, migalhas de pão e peixes velhos - pela metade.
Assim não deram importância ao amigo Fernão Capelo Gaivota, que por sua insistência em fazê-los o ouvir acabou por ser excluído do grupo, tendo que viver sozinho em um lugar muito distante.
Mas nem isso fazia Fernão ser triste. O que o entristecia era ver que seus amigos não queriam aprender a voar, aprender a ser feliz, aprender a pegar peixes frescos em cada mergulho magnífico que podiam dar.
Descobriu que o medo e o tédio são as razões porque a vida de uma gaivota é tão curta, e sem isso a perturbar-lhe viveu de fato uma vida longa e feliz.
Quando foi para uma terra longínqua conheceu Henrique que lhe ensinou muitas coisas! Porém seu mestre Henrique foi embora, coube então a Fernão Capelo Gaivota a missão de ensinar as novas gaivotas como voar.
Foi no momento em que estas gaivotas pequenas ficaram um pouco maiores, que ele percebeu que já haviam aprendido o necessário e que podiam continuar sozinhas. Então, mesmo ainda sem permissão resolveu voltar para a sua terra, tentando finalmente mostrar a felicidade de voar a seus antigos amigos.
Queria poder ensinar que o paraíso não é em um lugar nem em um tempo determinado, que o paraíso é perfeito, que está ao alcance de todos. É que basta querer que todos podem ir a qualquer lugar a qualquer momento.
Realizando os vôos que aprendera, voltou próximo a sua terra. Contudo o mais velho do grupo impediu que os demais falassem ou mesmo olhassem para Fernão. Todavia ao perceberam os seus movimentos e lembrando da antiga amizade, foram se aproximando desejando aprender a voar também.
- Pode me ensinar a voar como você? - Perguntou um deles.
- Claro. - Disse Fernão.
E começou a ensinar que o corpo é o nosso pensamento numa forma que podemos visualizar. Então para voar, basta querer! Ensinou tudo o que tinha aprendido com seu mestre amigo Henrique e mais o que aprendera sozinho ensinando as gaivotas mais novas.
- Deu certo! - Gritou uma gaivota ao conseguir voar livremente.
- Dá sempre certo quando sabemos o que estamos fazendo. - Respondeu Fernão. Assim foram passando os dias e ensinando a mais e mais gaivotas. Todas aprendiam! Umas mais devagar, outras mais rápidas, mas todas quando queriam aprendiam.
Quando novamente Fernão Capelo Gaivota percebeu que estava na hora de crescerem sozinhas, partiu para outra terra longínqua a fim de divulgar ainda mais seus movimentos. E assim foi ensinando a quem quisesse ser feliz. Seus discípulos mais tarde fizeram o mesmo, ensinando outras novas gaivotas ....()

Resumo elaborado por Rossana Estrella

Deptº Universitário para a reunião da Divisão de Estudantes da 3ª AG. BSGI

domingo, 1 de março de 2015

OS CAVALEIROS DE CRISTO

OS CAVALEIROS DE CRISTO: Templários, Teutônicos, Hospitalários e outras ordens militares na Idade Média.
Título original: Les Chevaliers du Christ: les ordres religieux-militaires au Moyen Âge
Autor: Alain Demurger
Tradução: André Telles
Editora: Jorge Zahar Editor
Assunto: Ordens religiosas militares
Edição: 1ª
Ano: 2002
Páginas: 347


Sinopse: Os Cavaleiros de Cristo é uma das mais completas sínteses sobre as ordens militares da Idade Média.
Além de acompanhar templários e hospitalários desde a primeira cruzada em Jerusalém, analisa a atuação da ordem de Santiago na Península Ibérica e a dos teutônicos no Báltico, sem deixar de lado ordens menores, como Calatrava e Avis.
O autor destaca como causa da crise e decadência das ordens militares a consolidação das monarquias e o correspondente enfraquecimento do poder do papa – detendo-se particularmente no processo dos templários.
Duas perguntas agitavam a Idade Média por volta do século XI. Como cristianizar a guerra? Como ter um corpo de soldados dispostos a assumir com fidelidade e de maneira permanente a defesa dos cristãos e sua missão de luta contra o “Infiel”?
Como resposta, a cristandade medieval criou, não sem alguma resistência, instituições originais: as ordens militares. Vivendo como monges, sem no entanto serem monges de fato, e agindo ao mesmo tempo como cavaleiros leigos e “cavaleiros de Cristo”, protegiam-se, e atacavam, com duas armaduras: a de ferro e a da fé.
Este livro – uma das mais completas sínteses da ascensão e declínio das ordens militares – acompanha desde a criação das ordens na Terra Santa até seu ocaso na ilha de Rodes.
A primeira parte discute a sacralização da cavalaria através das cruzadas e acompanha o nascimento das ordens dos templários e dos hospitalários. Estuda depois a Reconquista espanhola, a criação da ordem de Santiago e o surgimento da ordem dos teutônicos no Báltico.
A segunda parte explora o funcionamento interno das ordens militares: as regras e estatutos, o recrutamento e o cotidiano, a organização, a guerra, a atividade beneficente, o patrimônio e os símbolos de pertencimento – como hábitos, cruzes e insígnias.
A crise e a decadência das ordens militares são o tema da terceira parte. Com a consolidação das monarquias e o arrefecimento do poder papal, as ordens militares foram pouco a pouco perdendo sua vitalidade, vendo-se abrigadas a se dedicar apenas a tarefas missionárias e beneficentes.
O processo dos templários fez com que a interferência do papa nas ordens fosse cada vez maior – o que culminou com a extinção da ordem do Templo e a retirada dos hospitalários para a ilha de Rodes. Enquanto isso, a crise econômica em toda a Europa obrigava a uma reestruturação completa das ordens, que pouco a pouco a pouco foram perdendo seu caráter religioso.
Na conclusão, o autor discute possíveis influências do jihad – a guerra santa islâmica – na formação e ideologia das ordens religiosas de cunho militar.
São de valiosa utilidade neste compêndio os anexos que o acompanham:
Uma extensa cronologia;
Sete mapas, mostrando a expansão das ordens militares desde Jerusalém no tempo das cruzadas;
Seis índices remissivos: de lugares, pessoas, assuntos, autores citados, bulas pontifícias e lista das ordens.

Sobre o autorAlain Demurger, medievalista e historiador das cruzadas e das ordens militares, leciona na Universidade de Paris-I.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

OS TEMPLÁRIOS


OS TEMPLÁRIOS: Uma cavalaria cristã na Idade Média
Título original: Les Templaires
Autor: Alain Demurger
Tradução: Karina Jannini
Editora: Difel
Assunto: História
Edição: 1ª
Ano: 2007
Páginas: 688


Sinopse: Em 1099, os cruzados da primeira cruzada chegavam ao fim de seu longo périplo e tomavam Jerusalém, a cidade onde se encontrava o sepulcro de Cristo. Da Ásia Menor ao Egito, conquistaram terras em detrimento dos principados turcos da Síria e do sultanato fatímida (do nome de sua dinastia) do Egito. Desses territórios fizeram quatro Estados latinos: o condado de Edessa, o principado de Antioquia, o condado de Trípoli e o reino de Jerusalém. A partir de então, era preciso defender esses Estados. Inicialmente, foi nesse contexto oriental que nasceu a ordem religiosa e militar do Templo, por volta de 1120.
Em 'Os Templários', Alain Demurger, especialista em Idade Média da Universidade de Paris I Panthéon-Sorbonne, tece um profundo estudo sobre uma das famosas e misteriosas ordens religiosas da História.
A Ordem do Templo é o primeiro exemplo de uma criação original da cristandade medieval do Ocidente: a ordem religiosa e militar. No século XII, durante o movimento da reforma gregoriana e da cruzada, o novo cavaleiro de Cristo, tal como São Bernardo o enalteceu, pronuncia os votos do monge, vive segundo uma regra, mas atua na vida secular. E de que maneira! Pois, em nome de sua fé, ele combate, mata e morre.
Criada para proteger os peregrinos da Jerusalém reconquistada pelos cruzados, a Ordem do Templo estendeu sua missão à defesa dos Estados latinos do Oriente e, depois, à Espanha da Reconquista. A acusação brutal que sofreu, em 1307, pelo rei da França, Filipe, o Belo, foi seguida de um processo iníquo e de sua extinção, em 1312.
A Ordem do Templo tornou-se o bode expiatório de um conflito que estava além dela e foi exacerbado na França pela personalidade do rei e de seus conselheiros: o conflito entre um poder espiritual na defensiva e o Estado moderno que se firma no Ocidente desde meados do século XIII.
"A bibliografia do Templo é superabundante, mas cientificamente duvidosa", escreve o autor. "O Templo alimenta, com os cátaros e Joana D'Arc, um dos filões inesgotáveis da pseudo-História, aquela que tem por objetivo oferecer aos leitores ávidos sua porção de mistérios e segredos. Há a história do Templo e há o seu mito, sua lenda." É dessa forma que, em Os Templários, Alain Demurger traça um estudo completo, detalhado em todos os níveis, sobre esta fascinante história.
Sobre o autor: Alain Demurger (Fig. 1), medievalista e historiador das cruzadas e das ordens militares, leciona na Universidade de Paris-I.
Sobre a tradutora: Karina Jannini (Fig. 2). Nasceu em 1974 em São Paulo – SP. Mestre em Língua e Literatura Italiana, 2004 - FFLCH - USP.
Fig. 1 - Alain Demurger

Fig. 2 - Karina Jannin




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

RECORDAÇÕES DA CASA DOS MORTOS

Título original: Zapiski iz Mertvogo Doma (1861)
Autor: Fiódor Mikháilovitch Dostoievski
Tradução: José Geraldo Vieira 
Assunto: Romance – Literatura estrangeira
Editora: Martin Claret
Edição: 1ª
Ano: 2006
Páginas: 316
Nota: A editora José Olympio lançou uma edição em 1950 com tradução de Raquel de Queiroz, hoje só encontrável em sebos.

Sinopse: Por meio da personagem Alexander Petrovich Goriantchikov, condenado pelo assassinato da esposa, Dostoiévski retrata o sofrimento físico e mental dos que foram segregados da sociedade e confinados em uma prisão. Baseado em sua própria experiência de quatro anos como prisioneiro político nos campos da Sibéria, o romance revela a degradação humana, comum a todos os sistemas prisionais. O homem humilhado socialmente, vivendo situações-limite e carregando o peso de suas culpas, encontra-se aqui representado. Dostoiévski desvenda personagens que vão ao extremo, delineando seus perfis, bem como o funcionamento do sistema prisional. O autor entende que o regime prisional não ressocializa o criminoso e que a figura do detento 'redimido' é utilizada como modelo para indicar que o sistema social em questão é eficiente. A edição inclui a 'Carta de Dostoiévski ao irmão Mikhail', escrita na passagem de seus quatro anos de reclusão para cumprir o resto da pena como soldado raso. A carta desvela um Dostoiévski fragilizado, solicitando atenção fraterna, tanto material como espiritualmente. O livro traz reflexões de cunho psicológico e social.
A obra retrata a procura de níveis mais profundos da consciência do real e sua ambivalência. A experiência da vida no presídio levou o autor a tratar de problemas relacionados com a culpa e a punição pelo crime, a própria realidade do mal em si e os limites da ação humana dentro da ordem social.
Dostoiévski desvenda, com maestria e profundidade psicológica, personagens que vão ao extremo, delineando seus perfis, bem como o funcionamento do sistema prisional. O livro traz profundas reflexões de cunho psicológico e social. São ponderações que nos possibilitam repensar os nossos conceitos acerca da nossa realidade.


Comentários: Esta obra representa o divisor de água nas obras de Dostoievski. Até então publicara: O romance Biednie liudi (Gente pobre) em 1846; Dvoini (O Sósia) em 1846; Bielie notchi (Noites brancas) em 1848; Nietotchka Niezvanova em 1849; Unijenie i oskorblionie (Humilhados e ofendidos) em 1861; Igrok (O Jogador) em 1866, obra de fundo autobiográfico.