quarta-feira, 1 de abril de 2015

FERNÃO CAPELO GAIVOTA


A História de Fernão Capelo Gaivota
Autor: Richard Bach
Título original: A Story Jonatham Livingston Seagull
Editora: Editorial Nórdica Ltda - Rio de Janeiro, 1970
Tradução: Antônio Ramos Rosa e Madalena Rosález

Este livro, publicado em 1970 é um hino à liberdade e o vôo para além de limites provisórios. O autor, através de uma metáfora, trata do tema transcendência de um modo tocante e sublime, utilizando-se de uma gaivota cuja personalidade e os conflitos são universais.
O trecho a seguir, resume todo o sentido da obra. Faça uma analogia com seres humanos e compreenderá a profundidade da mensagem que a metáfora transmite.
“A maior parte das gaivotas não se preocupa em aprender mais do que os simples fatos do vôo - como ir da costa à comida e voltar. Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar.”
Esta obra é dedicada ao verdadeiro Fernão Capelo Gaivota que vive em todos nós, mas que precisa ser despertado.

O vôo de Richard ‘Capelo Gaivota’ Bach

O escritor Richard Bach, no Brasil: aviador que não gosta de viajar
Fernão Capelo Gaivota, o romance que marcou diversas gerações de adolescentes, viajou 43 países do mundo e chegou a 40 milhões de cópias vendidas. Já o autor da célebre história da gaivota que busca seu vôo próprio, o aviador norte-americano Richard Bach, 63 anos, está em sua terceira viagem internacional. Ele veio ao Brasil em companhia de Bárbara, sua segunda mulher, para o lançamento do livro Mensagens Para Sempre, compilação das melhores frases de suas obras, um lançamento da Editora Vergara & Riba na América Latina.
Animado com a possibilidade de ver as constelações do hemisfério sul, Bach se confessa introvertido e avesso a grandes aventuras. Prefere explorar seu próprio mundo interior e deixar os grandes vôos para os personagens de seus livros – todos desdobramentos de seu maior sucesso editorial, lançado em 1970.
Fernão Capelo surgiu na vida de Richard Bach quando ele era ainda garoto. Costumava esconder-se do vento atrás de uma pedra, às margens do oceano, para observar as gaivotas. “Nunca havia entrado num avião, mas já adorava voar e sonhava ser uma gaivota”, lembra ele, com lágrimas nos olhos.
Anos depois, andava pelas ruas da Califórnia – “como muitos escritores novos, pensando como faria para pagar meu aluguel” - e ouviu uma voz. “Dizia: ‘Fernão Capelo Gaivota’”, conta ele. “Estava assustado e disse: ‘Se você acha que eu sei o que Fernão Capelo Gaivota significa, está enganado. Deve ter me confundido com outra pessoa’.” Silêncio do outro lado. Bach sentou-se para escrever. “Senti a parede desaparecer e em seu lugar vi a imagem da primeira página do livro”, conta. Descreveu em palavras as cenas que apareciam diante de seus olhos por cerca de uma hora, até que, como se tivessem desligado um projetor, a figura sumiu. “Alguma coisa me disse: ‘Se você acredita que é o autor desta história, termine-a’”.
Oito anos e muitas tentativas frustradas depois, o escritor acordou de um sonho que lhe indicava a continuação da história. Só então terminou o livro. Com tantas forças sobrenaturais fazendo com que a obra se concretizasse, dificuldades na publicação era tudo o que Bach não imaginava. “Fernão Capelo Gaivota foi meu livro mais rejeitado”, conta ele, que antes havia escrito três livros.
Perseverante, resistiu a 18 respostas negativas de editoras até conseguir publicar o livro que se tornaria um dos maiores fenômenos editoriais das últimas décadas. Pela primeira vez na vida, Richard ganhou muito dinheiro. Mas a ganância falou mais alto: comprou oito aviões, administrou mal os investimentos e perdeu tudo. “Toda a bênção pode revelar-se um desastre e todo o desastre, uma bênção”, filosofa. “O desastre me ensinou que o maior presente que alguém pode ter é amor.”
Como a escrita, a aviação sempre esteve presente na vida de Richard. Seus livros são, inclusive, reflexos de sua paixão pelo mundo aerodinâmico. “A abrangência das minhas histórias me surpreendeu. Pensei que só aviadores entenderiam minhas palavras”, diz. O amor pelos aviões nasceu com o escritor, mas só se concretizou aos 17 anos, quando ele se alistou na Força Aérea Americana. “Comecei limpando as máquinas, pelo simples prazer de tocá-las”, confessa Bach, que trocou a aviação pela literatura dois anos depois. “Já escrevi 11 livros e tenho um projeto de mais 50”, diz ele.

Música tema do filme: BE



Seja um Fernão Capelo Gaivota


Numa praia, havia uma porção de gaivotas em busca de seu alimento enquanto apenas uma, sozinha, tentava voar de maneira diferente das outras, de uma forma muito especial, mas não conseguia, caia. Só que nunca desistia! Tentava voar cada vez melhor!
Quando finalmente conseguiu, descobriu o quanto se amava e o real sentido de viver!
Descobriu que podia aprender a voar, ser livre!
Agora o importante não era receber elogios por sua vitória, queria apenas partilhar com seus amigos o que havia descoberto. Mas eles só lembravam de comer os restos deixados pelos pescadores, migalhas de pão e peixes velhos - pela metade.
Assim não deram importância ao amigo Fernão Capelo Gaivota, que por sua insistência em fazê-los o ouvir acabou por ser excluído do grupo, tendo que viver sozinho em um lugar muito distante.
Mas nem isso fazia Fernão ser triste. O que o entristecia era ver que seus amigos não queriam aprender a voar, aprender a ser feliz, aprender a pegar peixes frescos em cada mergulho magnífico que podiam dar.
Descobriu que o medo e o tédio são as razões porque a vida de uma gaivota é tão curta, e sem isso a perturbar-lhe viveu de fato uma vida longa e feliz.
Quando foi para uma terra longínqua conheceu Henrique que lhe ensinou muitas coisas! Porém seu mestre Henrique foi embora, coube então a Fernão Capelo Gaivota a missão de ensinar as novas gaivotas como voar.
Foi no momento em que estas gaivotas pequenas ficaram um pouco maiores, que ele percebeu que já haviam aprendido o necessário e que podiam continuar sozinhas. Então, mesmo ainda sem permissão resolveu voltar para a sua terra, tentando finalmente mostrar a felicidade de voar a seus antigos amigos.
Queria poder ensinar que o paraíso não é em um lugar nem em um tempo determinado, que o paraíso é perfeito, que está ao alcance de todos. É que basta querer que todos podem ir a qualquer lugar a qualquer momento.
Realizando os vôos que aprendera, voltou próximo a sua terra. Contudo o mais velho do grupo impediu que os demais falassem ou mesmo olhassem para Fernão. Todavia ao perceberam os seus movimentos e lembrando da antiga amizade, foram se aproximando desejando aprender a voar também.
- Pode me ensinar a voar como você? - Perguntou um deles.
- Claro. - Disse Fernão.
E começou a ensinar que o corpo é o nosso pensamento numa forma que podemos visualizar. Então para voar, basta querer! Ensinou tudo o que tinha aprendido com seu mestre amigo Henrique e mais o que aprendera sozinho ensinando as gaivotas mais novas.
- Deu certo! - Gritou uma gaivota ao conseguir voar livremente.
- Dá sempre certo quando sabemos o que estamos fazendo. - Respondeu Fernão. Assim foram passando os dias e ensinando a mais e mais gaivotas. Todas aprendiam! Umas mais devagar, outras mais rápidas, mas todas quando queriam aprendiam.
Quando novamente Fernão Capelo Gaivota percebeu que estava na hora de crescerem sozinhas, partiu para outra terra longínqua a fim de divulgar ainda mais seus movimentos. E assim foi ensinando a quem quisesse ser feliz. Seus discípulos mais tarde fizeram o mesmo, ensinando outras novas gaivotas ....()

Resumo elaborado por Rossana Estrella

Deptº Universitário para a reunião da Divisão de Estudantes da 3ª AG. BSGI

domingo, 1 de março de 2015

OS CAVALEIROS DE CRISTO

OS CAVALEIROS DE CRISTO: Templários, Teutônicos, Hospitalários e outras ordens militares na Idade Média.
Título original: Les Chevaliers du Christ: les ordres religieux-militaires au Moyen Âge
Autor: Alain Demurger
Tradução: André Telles
Editora: Jorge Zahar Editor
Assunto: Ordens religiosas militares
Edição: 1ª
Ano: 2002
Páginas: 347


Sinopse: Os Cavaleiros de Cristo é uma das mais completas sínteses sobre as ordens militares da Idade Média.
Além de acompanhar templários e hospitalários desde a primeira cruzada em Jerusalém, analisa a atuação da ordem de Santiago na Península Ibérica e a dos teutônicos no Báltico, sem deixar de lado ordens menores, como Calatrava e Avis.
O autor destaca como causa da crise e decadência das ordens militares a consolidação das monarquias e o correspondente enfraquecimento do poder do papa – detendo-se particularmente no processo dos templários.
Duas perguntas agitavam a Idade Média por volta do século XI. Como cristianizar a guerra? Como ter um corpo de soldados dispostos a assumir com fidelidade e de maneira permanente a defesa dos cristãos e sua missão de luta contra o “Infiel”?
Como resposta, a cristandade medieval criou, não sem alguma resistência, instituições originais: as ordens militares. Vivendo como monges, sem no entanto serem monges de fato, e agindo ao mesmo tempo como cavaleiros leigos e “cavaleiros de Cristo”, protegiam-se, e atacavam, com duas armaduras: a de ferro e a da fé.
Este livro – uma das mais completas sínteses da ascensão e declínio das ordens militares – acompanha desde a criação das ordens na Terra Santa até seu ocaso na ilha de Rodes.
A primeira parte discute a sacralização da cavalaria através das cruzadas e acompanha o nascimento das ordens dos templários e dos hospitalários. Estuda depois a Reconquista espanhola, a criação da ordem de Santiago e o surgimento da ordem dos teutônicos no Báltico.
A segunda parte explora o funcionamento interno das ordens militares: as regras e estatutos, o recrutamento e o cotidiano, a organização, a guerra, a atividade beneficente, o patrimônio e os símbolos de pertencimento – como hábitos, cruzes e insígnias.
A crise e a decadência das ordens militares são o tema da terceira parte. Com a consolidação das monarquias e o arrefecimento do poder papal, as ordens militares foram pouco a pouco perdendo sua vitalidade, vendo-se abrigadas a se dedicar apenas a tarefas missionárias e beneficentes.
O processo dos templários fez com que a interferência do papa nas ordens fosse cada vez maior – o que culminou com a extinção da ordem do Templo e a retirada dos hospitalários para a ilha de Rodes. Enquanto isso, a crise econômica em toda a Europa obrigava a uma reestruturação completa das ordens, que pouco a pouco a pouco foram perdendo seu caráter religioso.
Na conclusão, o autor discute possíveis influências do jihad – a guerra santa islâmica – na formação e ideologia das ordens religiosas de cunho militar.
São de valiosa utilidade neste compêndio os anexos que o acompanham:
Uma extensa cronologia;
Sete mapas, mostrando a expansão das ordens militares desde Jerusalém no tempo das cruzadas;
Seis índices remissivos: de lugares, pessoas, assuntos, autores citados, bulas pontifícias e lista das ordens.

Sobre o autorAlain Demurger, medievalista e historiador das cruzadas e das ordens militares, leciona na Universidade de Paris-I.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

OS TEMPLÁRIOS


OS TEMPLÁRIOS: Uma cavalaria cristã na Idade Média
Título original: Les Templaires
Autor: Alain Demurger
Tradução: Karina Jannini
Editora: Difel
Assunto: História
Edição: 1ª
Ano: 2007
Páginas: 688


Sinopse: Em 1099, os cruzados da primeira cruzada chegavam ao fim de seu longo périplo e tomavam Jerusalém, a cidade onde se encontrava o sepulcro de Cristo. Da Ásia Menor ao Egito, conquistaram terras em detrimento dos principados turcos da Síria e do sultanato fatímida (do nome de sua dinastia) do Egito. Desses territórios fizeram quatro Estados latinos: o condado de Edessa, o principado de Antioquia, o condado de Trípoli e o reino de Jerusalém. A partir de então, era preciso defender esses Estados. Inicialmente, foi nesse contexto oriental que nasceu a ordem religiosa e militar do Templo, por volta de 1120.
Em 'Os Templários', Alain Demurger, especialista em Idade Média da Universidade de Paris I Panthéon-Sorbonne, tece um profundo estudo sobre uma das famosas e misteriosas ordens religiosas da História.
A Ordem do Templo é o primeiro exemplo de uma criação original da cristandade medieval do Ocidente: a ordem religiosa e militar. No século XII, durante o movimento da reforma gregoriana e da cruzada, o novo cavaleiro de Cristo, tal como São Bernardo o enalteceu, pronuncia os votos do monge, vive segundo uma regra, mas atua na vida secular. E de que maneira! Pois, em nome de sua fé, ele combate, mata e morre.
Criada para proteger os peregrinos da Jerusalém reconquistada pelos cruzados, a Ordem do Templo estendeu sua missão à defesa dos Estados latinos do Oriente e, depois, à Espanha da Reconquista. A acusação brutal que sofreu, em 1307, pelo rei da França, Filipe, o Belo, foi seguida de um processo iníquo e de sua extinção, em 1312.
A Ordem do Templo tornou-se o bode expiatório de um conflito que estava além dela e foi exacerbado na França pela personalidade do rei e de seus conselheiros: o conflito entre um poder espiritual na defensiva e o Estado moderno que se firma no Ocidente desde meados do século XIII.
"A bibliografia do Templo é superabundante, mas cientificamente duvidosa", escreve o autor. "O Templo alimenta, com os cátaros e Joana D'Arc, um dos filões inesgotáveis da pseudo-História, aquela que tem por objetivo oferecer aos leitores ávidos sua porção de mistérios e segredos. Há a história do Templo e há o seu mito, sua lenda." É dessa forma que, em Os Templários, Alain Demurger traça um estudo completo, detalhado em todos os níveis, sobre esta fascinante história.
Sobre o autor: Alain Demurger (Fig. 1), medievalista e historiador das cruzadas e das ordens militares, leciona na Universidade de Paris-I.
Sobre a tradutora: Karina Jannini (Fig. 2). Nasceu em 1974 em São Paulo – SP. Mestre em Língua e Literatura Italiana, 2004 - FFLCH - USP.
Fig. 1 - Alain Demurger

Fig. 2 - Karina Jannin




quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

RECORDAÇÕES DA CASA DOS MORTOS

Título original: Zapiski iz Mertvogo Doma (1861)
Autor: Fiódor Mikháilovitch Dostoievski
Tradução: José Geraldo Vieira 
Assunto: Romance – Literatura estrangeira
Editora: Martin Claret
Edição: 1ª
Ano: 2006
Páginas: 316
Nota: A editora José Olympio lançou uma edição em 1950 com tradução de Raquel de Queiroz, hoje só encontrável em sebos.

Sinopse: Por meio da personagem Alexander Petrovich Goriantchikov, condenado pelo assassinato da esposa, Dostoiévski retrata o sofrimento físico e mental dos que foram segregados da sociedade e confinados em uma prisão. Baseado em sua própria experiência de quatro anos como prisioneiro político nos campos da Sibéria, o romance revela a degradação humana, comum a todos os sistemas prisionais. O homem humilhado socialmente, vivendo situações-limite e carregando o peso de suas culpas, encontra-se aqui representado. Dostoiévski desvenda personagens que vão ao extremo, delineando seus perfis, bem como o funcionamento do sistema prisional. O autor entende que o regime prisional não ressocializa o criminoso e que a figura do detento 'redimido' é utilizada como modelo para indicar que o sistema social em questão é eficiente. A edição inclui a 'Carta de Dostoiévski ao irmão Mikhail', escrita na passagem de seus quatro anos de reclusão para cumprir o resto da pena como soldado raso. A carta desvela um Dostoiévski fragilizado, solicitando atenção fraterna, tanto material como espiritualmente. O livro traz reflexões de cunho psicológico e social.
A obra retrata a procura de níveis mais profundos da consciência do real e sua ambivalência. A experiência da vida no presídio levou o autor a tratar de problemas relacionados com a culpa e a punição pelo crime, a própria realidade do mal em si e os limites da ação humana dentro da ordem social.
Dostoiévski desvenda, com maestria e profundidade psicológica, personagens que vão ao extremo, delineando seus perfis, bem como o funcionamento do sistema prisional. O livro traz profundas reflexões de cunho psicológico e social. São ponderações que nos possibilitam repensar os nossos conceitos acerca da nossa realidade.


Comentários: Esta obra representa o divisor de água nas obras de Dostoievski. Até então publicara: O romance Biednie liudi (Gente pobre) em 1846; Dvoini (O Sósia) em 1846; Bielie notchi (Noites brancas) em 1848; Nietotchka Niezvanova em 1849; Unijenie i oskorblionie (Humilhados e ofendidos) em 1861; Igrok (O Jogador) em 1866, obra de fundo autobiográfico.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O CORAÇÃO DAS TREVAS

BIS

Título original: The heart of darkness
Autor: Joseph Conrad (1857-1924)
Tradução: Celso M. Paciornik
Editora: Iluminuras
Assunto: Romance (Literatura estrangeira)
Edição: 2ª
Ano: 2002
Páginas: 114

Sinopse: O livro escrito em 1899, apresenta a narrativa de Charlie Marlow, um alter ego de Joseph Conrad, sobre suas experiências nos confins da África. Marlow descreve os sombrios horrores enfrentados no coração da selva africana, como a morte iminente e a bárbara selvageria dos nativos. O objetivo de Marlow nesse ambiente hostil é encontrar o Sr. Kurtz, personagem envolto em certo misticismo. No decorrer de sua jornada, os caracteres da personalidade de Kurtz são apresentados, alçando paulatinamente esse personagem à uma condição divina. Entretanto, quando o encontro entre os dois finalmente acontece sobra certa decepção com o desfecho, dadas as expectativas criadas no decorrer da viagem.

Interpretação da obra:
Para compreender a obra de Joseph Conrad, é preciso saber interpretar os aspectos simbólicos fartamente utilizados por ele. Se você ler a obra dogmaticamente, não vai compreender nada.
Joseph Conrad usa a África como uma metáfora da condição humana, da qual não estão excluídos os abismos e os horrores. Ele penetra num mundo estranho, quase surrealista.
O que Joseph Conrad quer nos contar é o dilema moral do ser humano e o caos do mundo em que vivemos. Mostra-nos a sociedade enlouquecida criada por Kurtz, que assume nesta sociedade, o papel de Deus, decidindo quem deve e quem não deve morrer. Nos mostra, ainda, que o ser humano vive num mundo concreto, natural e contraditório, onde existem aspectos benignos e malignos, tal qual a natureza que é também potencialmente contraditória e onde se encontram forças de sustentação e forças de repúdio.
O homem não é 100% natureza. Há uma parte nele que não pertence à natureza e que não é humana, mas Divina (o espírito que corresponde ao intelecto, à sabedoria e ao conhecimento instantâneo da realidade). O intelecto (não é a mente ou a razão) faz a ligação do homem material com o mundo transcendente, onde está a Verdade. E nós humanos somos prisioneiros dessa tensão que é a essência da vida humana. Platão dizia que o homem é o intermediário entre o animal e o anjo.
Quando Kurtz retorna para a “civilização”, à beira da morte, desvela um pouco mais do mistério de tudo e emite sua expressão final antes de se quedar sem vida: “o Horror! o Horror”, ele prenuncia o julgamento de sua alma na Terra. Marlow já não é o mesmo, frente à iluminação final de Kurtz.
(Prof. José Monir Nasser)

Conclusão:
Os mistérios em torno dos personagens de Conrad simbolizam a impenetrabilidade misteriosa da alma humana, e as suas complicações.
O autor:

Jósef Teodor Konrad Korzeniowski nasceu em 1857, na cidade de Berdichev, na Ucrânia, uma região que foi parte da Polônia, mas na época estava sob controle russo.

Palavras de Joseph Conrad, talvez um dos mais vicerais escritores que a literatura ocidental já produziu.

“O objetivo que tento atingir, pelo poder da palavra escrita, é fazer você escutar, fazer você sentir e acima de tudo, fazer você ver. Isto, e nada mais, é tudo”.
“Vivemos como sonhamos - sozinhos”

sábado, 1 de novembro de 2014

NOVO CAMINHO NO BRASIL MERIDIONAL: A PROVÍNCIA DO PARANÁ

Título original: Pioneering in South Brazil
Autor: Thomas Plantagenet Bigg-Wither (1845-1890)
Tradução: Temístocles Linhares
Assunto: Documentos brasileiros
Editora: José Olympio
Edição: 1ª
Ano: Publicado originalmente em 1878 em Londres. No Brasil, em 1974.
Páginas: 420

Comentário preliminar: Esta obra levou noventa e seis anos, repito, noventa e seis anos para ser publicada no Brasil. Um exemplo de completo descaso pela cultura e pelo conhecimento. No meu entender deveria fazer parte da grade escolar desde e sua publicação original em 1878. Hoje, 2014, ninguém conhece a obra, salvo aqueles que estiveram diretamente envolvidos nos trabalhos gráficos e alguns poucos eruditos que ainda sobrevivem no país. Este é o Brasil da cultura da sapiência infusa. O horror! O horror! sob todos os aspectos. A questão não é tão somente cultural literária, mas de indolência para o trabalho no serviço público. É hilária a descrição, logo nas páginas iniciais do livro a experiência vivida pelo autor na alfândega, nos correios, no Hotel Cintra na cidade do Rio de Janeiro. (Anatoli Oliynik)

Sinopse: Publicado originalmente em Londres em 1878 esta obra apresenta a preciosa percepção da natureza de um Brasil ainda selvagem. Mais do que um relato de uma expedição à floresta Atlântica, suas vividas imagens de abertura de picadas, manobra de canoas sobre rios encachoeirados, violência das caçadas, revelam as impressões gravadas na retina de um olhar inquieto e inteligente, sensível à magnificência da flora, da fauna e da geologia paranaense. O livro também cumpre a função de apresentar a cultura de um país escravagista, suscetível aos interesses das oligarquias dominantes, em que a população ainda sobrevive submetida à natureza, mas já transita rumo à sua modernidade.

Histórico

O começo de tudo: A Descoberta
Tudo começou no século XIX, quando os ingleses investiam muito no Brasil. Mercadorias de toda a espécie eram comercializadas entre o Brasil e a Inglaterra e, ao mesmo tempo, os ingleses faziam grandes empréstimos ao governo de nosso país.
Essa relação econômica era chamada de "cooperação". Por isso, o Brasil tinha que colaborar, dar sua contribuição. Assim em 1872, uma expedição contratada pela "Paraná and Mato Grosso Survey Expedition", chegou ao país com o objetivo de projetar a construção de uma grande estrada de ferro ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, passando pelo Norte do Paraná.
O jovem engenheiro inglês Thomas P. Bigg-Wither era um dos membros da expedição e percorreu, entre 1872 e 1875, os sertões desconhecidos do Paraná realizando os serviços de engenharia. Mesmo trabalhando, observou "as belezas e vantagens da terra descoberta". Quando voltou à Inglaterra, em 1876, Bigg-Wither proferiu uma conferência na Real Sociedade de Geografia Britânica. Alí falou das potencialidades do fértil Vale do Rio Tibagi, que deixou os financistas de Londres interessados. A conferência despertou tanto interesse que o engenheiro foi convidado a se associar à Real Sociedade, que era uma entidade muito rigorosa na escolha de seus membros.
Passados dois anos, em 1878, Bigg-Wither publicou o livro "Pioneering in South Brazil", em que relatou três anos que passou nas florestas e campos do Paraná. Nas entrelinhas, o autor chama a atenção para a nova terra em seus aspectos positivos e negativos. Na época, uma ou duas tentativas de colonização inglesa haviam fracassado. Mas o engenheiro alertava as autoridades sobre a necessidade de disciplinar a imigração, recebendo não somente homens capazes, mas homens que viessem para cá fazer o que sabiam fazer.
A publicação provavelmente despertou ainda mais os investidores ingleses, que apesar do fracasso das experiências anteriores de colonização planejaram e executaram empreendimentos mais amadurecidos, como aquele que veio a Londrina chefiado por Lord Lovat. O livro do engenheiro teve a apresentação escrita por Jonh Murray, da Albermale Street, um editor muito famoso na época. (Fonte: Câmara Municipal de Cambé)
Trecho do livro:
“Na excitação e entusiasmo do momento, saí da trilha e galopei até o salto de uma elevação, ali ficando pelo espaço de 5 minutos, o peito dilatado e os braços estendidos, a aspirar a brisa magnifica que vinha varrendo aquelas planícies, procedentes do Atlântico. Senti-me como um prisioneiro solto de sua masmorra. Por treze meses eu não sabia o que era sentir um sopro de ar em meu rosto, nem ver mais longe do que podia alcançar a minha voz. Gritei de prazer e os meus auxiliares pensaram que eu tivesse enlouquecido de repente. Pouco depois, quando a minha exuberância de espírito tinha sido um pouco atenuada, entreguei-me a um gozo mais sereno do novo ambiente. Fiquei surpreso quando pensei no tempo que pude suportar vivendo na floresta tropical que, comparada ao campo, eu via agora como uma espécie de inferno terrestre.”

Sobre o autor: Thomas Plantagenet Bigg-Wither nasceu em 1845 no castelo de Tangier Park. Engenheiro e escritor inglês de formação naturalista, aos 26 anos embarca rumo ao Brasil. Durante três anos participa de expedições pelo interior do Paraná. Em 1875, retornando à Inglaterra, engaja-se na construção da Estrada de Ferro Central de Bengala, Índia. Dois anos bastam para que assuma a direção técnica do projeto. A inclemência climática local acaba por fragilizar seu organismo. Outro fato também colabora para minar sua saúde, um de seus filhos cai vítima de grave enfermidade. Sem demora, Bigg-Wither embarca no navio Assam, mas não chega ao seu país natal. Morre em alto-mar, em 1890, aos 44 anos, deixando diversos escritos em que se lê sua profunda reverência à natureza. (Cristianne Rodrigues Smaniotto).


O Paraná segundo Bigg-Wither (I)
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 24 de novembro de 1974

O professor Temístocles Linhares, 69 anos, diretor do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, não poderia inaugurar de forma mais inteligente as atividades editoriais da Universidade Federal do Paraná, do que com a edição em português de "Novo Caminho no Brasil Meridional": A Província do Paraná", que o engenheiro inglês Thomas Plantagenet Bigg-Wither (1845-1890) publicou em 1878, através do editor John Murray, de Londres, e onde descreve suas experiências de três anos na vida em florestas e campos do Paraná entre 1872/75. Como tivemos a alegria de fazer há mais de um ano o primeiro registro jornalístico sobre a iniciativa do professor Linhares em traduzir e conseguir o [editar] o notável documentário sobre a vida em nosso Estado há um século, hoje, com o livro (co-edição da Livraria José Olympio Editora, 419 páginas, nota biográfica de Newton Carneiro, 21 ilustrações e um mapa, Cr$ 50,00) já ao alcance de todos os interessados, apesar da pequena edição (1.500 exemplares, dos quais 800 vendidos ao Governo do Estado) julgamos oportuno a divulgação mais ampla, em especial aos milhares de leitores de O ESTADO, que não quiserem conhecer o maçudo volume, de alguns de seus trechos mais interessantes. Filho de nobres, Bigg-Wither veio para o Paraná há 102 anos, como um dos expedicionários contratados para o Paraná And Mato Grosso Survey Expedition. Tinha 26 anos e sua permanência aqui estendeu-se de junho de 1871 a abril de 1875, e desta sua estada resultou um depoimento em proporções que Bigg-Wither examina, criteriosamente, em seu livro, de forma que há 96 anos, quando a obra foi publicada teve grande repercussão na Inglaterra. Acredita o professor Linhares que foi a sua leitura que fez o romancista Thomas Hardy (1840-1928) autor de livros famosos ("Judas, O Obscuro", "Longe da Multidão Insensata" etc) a, em "Tess of the D'Urbevilles" publicado em 1891, portanto 13 anos depois do livro de Bigg-Wither, colocar uma personagem , Angel Claire que vem participar de uma experiência de colonização no Paraná. Há quase 20 anos, analisando este livro de Hardy do qual não existe tradução no Brasil o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, levantou dúvidas com relação ao significado da palavra Paraná, o que iniciou uma polêmica que levaria Temístocles a empreender profundas pesquisas, encontrando então uma edição de "Pionering in South Brazil", de Bigg-Wither, agora, um século depois, finalmente revelado aos leitores brasileiros. Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:

Veiculo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento: Almanaque
Coluna ou Seção: Tablóide
Página: 8
Data: 24/11/1974


A publicação original em dois volumes:
(imagens da Internet)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

DIDASCÁLICON Da arte de ler



Título original: Didascalicon de Studio Legendi
Autor: Hugo de São Vitor (1096-1141)
Tradução: Antonio Marchionni
Editora: Vozes
Assunto: Ensaio Filosófico (Filosofia Medieval)
Edição: 1ª
Ano: 2001
Páginas: 294

Sinopse: Um mergulho na cultura da Idade Média: este é o Didascálicon da arte de ler, um dos livros medievais mais lidos nos tempos atuais. Por ele, o leitor sintoniza-se como o universo de pensamentos humanos e divinos, que habitavam as escolas e as mentes estudantis do século XII. Este escrito do Mestre Hugo de São Vitor, pequena enciclopédia do saber e da sabedoria da época, emana e mantém um frescor, que conforta e vivifica o homem moderno.

Paris vê chegar, no começo de 1100, onda de jovens vindos de todos os cantos de uma Europa finalmente pacificada, que vivia um novo florescimento das cidades, após as invasões bárbaras dos séculos V a VIII e após o período feudal e dos séculos IX e X.

Era um momento cultural único, quando o papel vindo da China, o velino em pergaminhos finos, a tinta dos árabes, a minúscula carolíngia, a adoção da escrita em itálico e a caneta com ponta de feltro facilitavam nas oficinas dos copistas a compilação de livros, que eram encomendados por bibliotecas, juristas, mercadores e senhores. Este florescer do século XII em artes e escolas marca, segundo o pedagogo Ivan Illich, o advento da “cultura livresca”, que vem até os nossos dias, quando o livro está sendo substituído pelo vídeo.

Hugo de São Vitor é um dos atores desta “revolução cultural do século XII”. Havia na França três escolas renomadas: a de Chartres, a de Notre-Dame e, a mais famosa, a da Abadia de São Vitor, na margem esquerda do Sena. Delas nascerá, em 1215, a Universidade de Paris. Hugo encarna o espírito da Escola de São Vitor e era conhecido pelos estudantes como filósofo, teólogo, exegeta, místico, gramático.

Vendo tantos jovens desejosos de estudar, o Mestre Hugo quis oferecer-lhes uma introdução ao saber, um livro que apresentasse as várias disciplinas e auxiliasse o estudante a montar o seu próprio itinerário intelectual. Nasce assim, em 1127, o Didascálicon da arte de ler, resumo dos saberes seculares e divinos da época e exortação acerca do que ler, como ler, em qual ordem ler.

Trata-se, na história, do primeiro livro endereçado aos estudantes. Pela primeira vez na história as “ciências mecânicas”, isto é, o trabalho manual, passam a fazer parte da reflexão filosófica. Atento ao desenvolvimento histórico dos homens, Hugo conjuga material e espiritual, tradição e novidade, corpo e alma, temporal e eterno, Ciência e Sapiência.

Era este o ar existencial e sublime que se respirava nas escolas, ruas e cantinas estudantis de Paris. Esta é a brisa que o livro traz aos leitor de hoje, quase uma saudade da casa.

Sobre o autor: Hugo de São Vitor nasceu na Saxônia, que hoje faz parte do território da Alemanha, no ano de 1096. Ainda jovem sentiu a vocação religiosa e mudou-se para Paris com a intenção de ingressar no Mosteiro de São Vitor, no qual residiu até a sua morte em 1141. Ele viveu, portanto, na primeira metade do século dos anos 1100.

A época em que viveu Hugo de São Vitor foi uma das mais importantes da história da civilização ocidental, pois foi nela que começaram a se organizar as nações que hoje fazem parte da Europa.

Mil e cem anos antes da época de Hugo, quando nasceu Jesus Cristo, não existiam Inglaterra, França, Alemanha, Portugal nem tantos outros países da Europa. Na época de Cristo a Europa, o norte da África e o Oriente Médio constituíam um todo conhecido como Império Romano. A ausência de fronteiras e as facilidades de comunicação dentro de um império tão grande muito auxiliou para que o cristianismo se propagasse mais facilmente por todo o mundo civilizado daquele tempo.

Entretanto, a partir dos anos 400 e durante vários séculos que se seguiram, muitas hordas de bárbaros provenientes da Europa Oriental e do interior da Ásia passaram a invadir o território do Império Romano que acabou aos poucos se esfacelando. Embora tivesse havido algumas épocas de calma, as invasões e as desordens que resultaram delas só puderam começar a ser definitivamente controladas, possibilitando a organização daquelas que são as atuais nações da Europa, na época de Hugo de São Vitor. Entre o ano 1100, próximo ao nascimento de Hugo, e o ano 1300, próximo à morte de Santo Tomás de Aquino, houve um extraordinário renascimento da civilização na Europa em todos os aspectos, incluindo a vida religiosa, a teologia e a educação. Pertencem a este período da história as vidas de São Francisco de Assis e de São Domingos.

No início deste período, no ano 1100, São Vitor era o nome de uma capelinha situada nos arredores de Paris e freqüentada por pessoas que vinham, longe do tumulto da cidade, consagrar algum tempo à meditação e à oração. Em 1108, com o fim de melhor poder dedicar-se às coisas de Deus, um sacerdote professor da escola anexa à Catedral de Notre Dame, chamado Guilherme de Champeaux, transferiu-se para lá junto com vários de seus alunos. Mesmo residindo em São Vítor, Guilherme continuou sendo procurado, não só pelo seu exemplo, como também pelos seus ensinamentos, que não deixou de ministrar. Assim surgiu ali o mosteiro de São Vítor.

Quando Hugo pediu para ser admitido no mosteiro de São Vitor, Guilherme já não residia mais nele. Tinha sido promovido a bispo e havia deixado outros em seu lugar, encarregados do governo do mosteiro. Algum tempo depois a tarefa de organizar a escola de Teologia anexa ao mosteiro seria confiada a Hugo de São Vitor.

Raras vezes na história humana uma escolha pôde ter sido tão feliz. No mosteiro organizava-se uma grande biblioteca que daria acesso a Hugo ao que de melhor havia sido escrito pela tradição cristã. A fama de São Vitor já havia atravessado as fronteiras e espalhava-se por toda a Europa; ela trazia ao mosteiro, de todas as partes, estudantes de notável talento, como tinha sido o caso do próprio Hugo, que para lá se tinha dirigido proveniente do Sacro Império Germânico, de Ricardo de São Vitor, que ali chegou proveniente da Escócia, e de Pedro Lombardo, que vinha do norte da Itália encaminhado por São Bernardo. Já é coisa rara que um talento da envergadura de Hugo, homem de inteligência brilhante, santidade manifesta e notável vocação docente se veja diante de tantos e tão excelentes recursos materiais e humanos; mais raro ainda é que alguém nestas condições se veja encarregado de, além de ensinar, organizar também a escola. Esta tarefa suplementar obrigou Hugo adicionalmente a explicar aos alunos como se deveria estudar, aos professores como se deveria ensinar e à escola como se deveria organizar, e isto não para obter algum diploma, que naquela época ainda de nada valiam, mas para, a partir de um sólido conhecimento das Sagradas Escrituras e das obras dos Santos Padres, empreenderem a busca da santidade. O conjunto da obra de Hugo de São Vitor mostra que ele elaborou um sistema de Pedagogia em que o estudo de torna um instrumento de ascese em perfeita consonância com os ensinamentos do Novo Testamento a respeito da fé, da graça e da oração, da necessidade da graça para a prática das virtudes e dos frutos que se esperam do desenvolvimento da vida espiritual.

Hugo de São Vítor mostrou, em suma, como se organiza o estudo, o ensino e a escola para que, sem deixar de ser uma escola, nem perder nenhuma das características que tradicionalmente se atribuem a uma escola, ela tenha como meta a santidade. Esta meta não é algo acrescentado ou justaposto ao que já seria a escola, mas é aquilo que dita a própria essência de sua organização e de seus métodos.

Hugo mostrou ainda que se isto pode ser possível, é porque esta é a verdadeira e legítima finalidade da escola. São as outras escolas, e não esta, que representam um desvio do verdadeiro ideal do ensino.