segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O CAPOTE

Título original:
Autor: Nikolai Vassílievitch Gógol (1809-1852)
Tradução: Paulo Bezerra
Editora: 34
Assunto: Novela
Edição:
Ano: 2010
Páginas: 224


Sinopse: Escrita em 1842, é considerada a obra prima da literatura russa. É a história de um pobre funcionário público que, a grandes custos, consegue comprar um novo capote e é roubado no mesmo dia em que o inaugura. Segue-se então, uma via-crúcis pela burocracia russa. Ao invés do capote, ele consegue apenas uma grande bronca de um “alto funcionário”, interessado em impressionar um amigo. Isso, unido a uma gripe que ele contrai por estar sem capote, e, portanto, desprotegido do terrível frio de São Petersburgo, leva-o à morte. Seu fantasma então passa a puxar o capote de todas as pessoas que se aventuram a sair à noite. É um conto que fala muito sobre os fatores sociais da Rússia do século XIX, satirizando todo aquele sistema.

Comentários de Arlete Cavalieri: A obra de Nikolai Gogol constitui não apenas um marco na literatura russa do século XIX, mas uma espécie de matriz para seus rumos futuros. O aspecto inovador no plano da linguagem, estilo e gêneros narrativos, a construção de enredos e de personagens inusitados, o trágico e o cômico que se fundem a elementos de terror e humor, a análise satírica da sociedade de seu tempo, conferem aos textos gogolianos uma vibração particular, rica de nuances, que continua a desafiar o leitor contemporâneo.


Posfácio de Paulo Bezerra: “O Capote” (1842) é a obra mais famosa de Gogol e uma das narrativas breves mais conhecidas de toda a literatura universal. Haviam contado a Gogol a anedota de um pequeno funcionário que morre após perder, no primeiro dia de caça, a espingarda que adquirira após anos de sacrifício. O autor toma essa história como tema e a transforma na história de Akáki Akákievitch.


A construção de “O Capote” incorpora um procedimento muito semelhante das imagens das personagens mitológicas. Depois de introduzir a personagem, que apresenta como um ser indefinido (“um funcionário”) acrescenta-lhe elementos quase desprovidos de relevância (“Não se pode dizer que esse funcionário fosse lá essas coisas”), desenhar-lhes as configurações físicas que muito o assemelha a uma máscara mortuária, e introduzir a categoria funcional como um atributo congênito da personagem, o narrador entre no tema efetivamente da narrativa: o nome. O nome Akáki representa a tradução da essência da personagem. Sua repetição em cadeia – Akáki-aká-aká-kiaká-kiakákiaká – se constitui num exercício de gagueira, a exemplo do que acontece com a fala da própria personagem, que usa uma linguagem quase desprovida de articulação, como se o homem ainda não tivesse criado uma linguagem estruturada.


O nome Akáki personifica uma impossibilidade de articulação do discurso, uma impossibilidade de comunicação, o que não se dá por opção dos pais e padrinhos, mas por força de uma fatalidade mítica: “essa é a sina dele. Já que é assim, o melhor é que ele tenha o mesmo nome do pai. O pai se chamava Akáki, então que o filho também se chame “Akáki” – conclui a mãe. Completa-se esse quadro de fatalidade com a reação do menino, que, ao receber o nome de batismo, chora e faz careta “como se pressentisse que viria a ser conselheiro titular”, um doa cargos mais baixos da burocracia russa. Assim, ao azar do nome junta-se o azar de uma profissão que constitui o alvo de toda sorte de zombarias por parte dos que tomam por Cristo aqueles que não reagem. Como se não bastasse o nome, acrescenta-se-lhe ainda o sobrenome Bachmátchkin (derivado de bachmák, isto é, sapato, algo para ser pisado), e temos a imagem perfeita do eterno ofendido. Portanto, a fatalidade que mais tarde acometerá a personagem obedece a um determinismo de tipo mítico, pois, como afirma o narrador da história, “tudo aconteceu por absoluta necessidade e outro nome seria inteiramente impossível”.


Assim, vemos Akáki Akákievitch arrastando em sua gagueira a condição de humilhado e ofendido, totalmente incapaz de esboçar qualquer reação, tão identificado com o nome e a profissão que seus colegas de repartição chegam a imaginá-lo nascido já conselheiro titular, de uniforme e calvo. Sua única existência se mede pelas folhas que copia. Corre a pena sobre o papel em branco com o mesmo carinho e a mesma habilidade com que o homem apaixonado usa a magia da mão carinhosa para compor páginas inumeráveis de poesia sobre o corpo macio da mulher. Sua relação com o trabalho chega a ser erótica, pois, na sua existência carente, as folhas saciadas por sua letra lhe preenchem plenamente a carência amorosa recalcada. Não tendo oportunidade nem necessidade de companhia feminina, consegue substituí-la por algumas letras favoritas, com as quais sente um prazer semelhante ao que um homem sentiria com seu tipo preferido de mulher.


Seu trabalho é de tal forma alienante que acaba por coisificá-lo; afundado no ramerrão da cópia, anula-se para qualquer outro tipo de atividade, e, quando um diretor quer recompensá-lo dando-lhe um trabalho mais interessante, embora de extrema simplicidade, cobre-se de suor e pede que lhe dêem algo para copiar. Está consumada a coisificação, transformado o amante na coisa amada, Akáki Akákievitch não nascera para escrever nada de si, nascera para copiar e acabara transformando-se em sombra das páginas que copiava.


Akáki Akákievitch leva uma existência de extrema pobreza, que é proporcional à sua indigência lingüística. Por sua vez, essa indigência de linguagem é proporcional à ausência de consciência; não tendo consciência do seu estado de humilhado e por não ter consciência não tem linguagem porque nada tem a expressar –, que está fadado à condição de homem socialmente mudo, que, não tendo como justificar a existência nem direito a nenhuma pretensão, nada pode suscitar a não ser compaixão.


Akáki Akákievitch tenta valer-se da linguagem apenas em dois momentos de sua vida: quando procura combinar com Pietróvitch a confecção do capote, e, após o roubo deste, quando tenta levar um figurão a interceder junto ao chefe de polícia para reaver o capote. Trata-se de dois momentos realmente cruciais em sua vida: a aquisição do capote, que o faz até falar, animar-se, rir diante de uma vitrine, observar um rabo de saia, enfim, comunicar-se com o mundo exterior e assim experimentar a sensação fugaz de um laivo de vida; e a perda do capote, que se traduz no fechamento do curto-circuito comunicativo de sua vida para terminar em um total isolamento. A impossibilidade de articular o discurso implica a impossibilidade de comunicar-se, de socializar-se, o que acarreta fatalmente o silêncio absoluto e a morte.

Comentários do editor do blog: Aristóteles, ao fazer a análise do teatro trágico grego em seu livro “A Poética”, define que as personagens teatrais têm uma hierarquia de poderes. Northrop Frye, a partir desta obra de Aristóteles, sistematizou essa hierarquia das personagens em seu livro “Anatomia da Crítica”. Essas personagens são:

1. Divino
2. Mítico
3. Imitativo alto
4. Imitativo baixo e
5. Irônico inferior.

A personagem classificada como irônico inferior é caracterizada como aquele indivíduo que tem baixo poder de reação frente as circunstâncias ou é um incapaz ou é uma vítima das circunstâncias. De todas as personagens sistematizadas por Northrop Frye, é a mais fraca. Está abaixo da capacidade dos outros. Portanto, é irônica porque ou é deficiente, ou porque é muito pobre, ou porque é prisioneiro de alguém, ou porque é criança. Para as crianças todas as coisas da vida normal são absolutamente terríveis, assustadoras ao extremo, porque aquilo que parece a nós, adultos normais, uma besteira, para as crianças aparenta o maior dos terrores. Aquilo que nós chamamos de educação, é tirar a criança desse terror, é mostrar e ela como é que uma pessoa normal e outros tipos de personagens se comportariam naquela situação.


Assim, podemos classificar Akákis Akákievitch como irônico inferior porque ele é muito pobre, portanto, enquadra-se na classificação. (A. Oliynik)

Sobre o autor: Nikolai Vassílievitch Gógol nasce em 1809, na província de Poltava, atual Ucrânia. Em 1829 muda-se para São Petersburgo e logo publica Serões numa granja perto de Dikanka, reunião de contos inspirados no folclore de sua terra natal. Em 1835 publica mais duas coletâneas: Arabescos e Mírgorod, nesta última incluída a novela Tarás Bulba. No ano seguinte estréia O inspetor geral, sua peça teatral de maior sucesso. Em 1842, após viajar pela Europa, publica a primeira parte do romance Almas mortas. Nesse mesmo ano publica a novela O capote, que exerceria enorme influência sobre diversos escritores russos. Após um período de graves crises existenciais, destrói o manuscrito da segunda parte de Almas mortas, adoece gravemente e, sofrendo constantes delírios, falece em março de 1852.

Sobre o tradutor: Paulo Bezerra estudou língua e literatura russa na Universidade Lomonóssov, em Moscou, e foi professor de teoria da literatura na UERJ e de língua e literatura russa na USP. Livre-docente em Letras, leciona atualmente na Universidade Federal Fluminense. Já verteu diretamente do russo mais de quarenta obras nos campos da filosofia, psicologia, teoria literária e ficção, destacando-se suas premiadas traduções de Crime e castigo, O idiota, Os demônios e Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O HOMEM ETERNO

Título original: The Everlasting Man
Autor: Gilbert Keith Chesterton (1874-1936)
Tradução: Almiro Pisetta
Editora: Mundo Cristão
Assunto: Apologética
Edição: 1ª
Ano: 2010
Páginas: 320


Sinopse: 'O homem eterno' reconta a história da humanidade a partir de duas particularidades que complementam: a criatura chamada homem e o homem chamado Cristo. Dividido em duas partes, a obra traça um esboço da humanidade que se instaurou quando ela se tornou cristã.

Comentários do próprio Chesterton: “Este livro precisa de uma nota preliminar para que seu escopo não seja mal entendido. Mais que teológica, a visão é histórica, e não trata diretamente da mudança religiosa que tem sido o principal acontecimento de minha vida, fato sobre o qual já estou escrevendo um volume mais francamente controverso. É impossível, espero, para qualquer católico escrever qualquer livro sobre qualquer assunto, principalmente sobre este assunto, sem mostrar que ele é católico. Mas este estudo não se preocupa especialmente com diferenças entre católicos e protestantes. Boa parte dele dedica-se a muitos tipos de pagãos mais que a qualquer tipo de cristão; e sua tese é que os que dizem que Cristo está no mesmo nível de mitos semelhantes, que o cristianismo está no mesmo nível de religiões similares, só estão repetindo uma fórmula muito envelhecida contestada por um fato muito chocante. Para sugerir isso eu não tive de ir muito além de fatos conhecidos de todos. Não reivindico erudição; e para certas coisas preciso depender, como praticamente já se tornou moda, daqueles que são mais eruditos. Sendo que mais de uma vez divergi do Sr. H.G. Wells [Wells era socialista fabiano. AO] em sua visão da história, é muito mais que justo que eu aqui deva congratular-me como ele pela coragem e imaginação construtiva demonstradas ao longo de sua vasta, variada e profundamente interessante obra [Chesterton está sendo irônico. AO]; mas ainda mais por ele ter afirmado o direito justo do amador de fazer o que puder com os fatos apresentados pelos especialistas.”[i]
O plano deste livro: Há duas maneiras de chegar em casa, e uma delas é ficar por lá. A outra é caminhar e dar a volta ao mundo inteiro até retornarmos ao mesmo lugar. E eu tentei seguir o rastro de uma viagem assim em uma história que escrevi outrora. É, todavia, um alívio passara daquele tópico para outra história que nunca escrevi. Como todos os livros que nunca escrevi, trata-se de longe do melhor livro que jamais escrevi. Ma é muito grande a probabilidade de que nunca venha a escrevê-lo, por isso vou usá-lo aqui de modo de modo simbólico, pois era um símbolo[i] da mesma verdade. Eu o concebi como um romance situado naqueles vastos vales com encostas em declive, como aqueles ao longo dos quais os antigos cavalos brancos de Wessex aparecem esboçados nos flancos das montanhas.[ii] O romance dizia respeito a algum rapaz cujo sítio ou casinha situava-se num desses declives, e ele empreendeu uma viagem em busca de alguma coisa tal como a efígie ou o túmulo de algum gigante. E quando estava a uma boa distância de casa ele olhou para trás e viu o seu próprio sítio e quintal brilhando nitidamente no flanco da montanha, como as cores e quadrantes de um brasão, eram apenas partes de alguma dessas figuras gigantescas, onde ele sempre havia morado, mas que eram demasiado grandes e estavam perto demais para serem vistas por inteiro. Esse, penso eu, é um grande e verdadeiro progresso de qualquer inteligência atual realmente independente; e essa é a idéia deste livro.

Sobre o autor: Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton, (Londres, 29 de maio de 1874 — Beaconsfield, 14 de junho de 1936) foi um escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, filósofo, desenhista e conferencista britânico.

Era o segundo de três irmãos. Filho de Edward Chesterton e de Marie Louise Grosjean. Casou-se com Frances Blogg. Concluiu os estudos secundários no colégio de São Paulo Hammersmith onde recebeu prêmio literário por um poema sobre São Francisco Xavier. Ingressa na escola de arte Slade School de Londres (1893) onde inicia a carreira de pintura que vai depois abandonar para se dedicar ao jornalismo e à literatura. Escreveu no Daily News. Nascido de família anglicana, mais tarde converteu-se ao catolicismo em 1922 por influência do escritor católico Hilaire Belloc, com quem desde 1900 manteve uma amizade muito próxima.

Ao falecer deixou todos os seus bens para a Igreja Católica. A sua obra foi reunida em quase quarenta volumes contendo os mais variados temas sob os mais variados gêneros. O Papa Pio XI foi grande admirador de Chesterton a quem conhecera pessoalmente.

Curiosidade: Chesterton era daqueles sujeitos que não conseguem passar despercebido aonde quer que estejam. A irreverência, o bom-humor e a eloqüência, associados a dois metros e nove centímetros de altura e a um peso médio de 140 quilos, transformavam qualquer ambiente; quer uma festa de aniversário infantil ou um acalorado debate com Bertrand Russel.


------------------ Notas de comentários de Chesterton:
[i] Evidências internas sugerem que G.K. Chesterton escreveu o presente livro, publicado em 1925, em resposta à conhecida obra de H.G. Wells, “An Outline of History”, publicada em 1920. Esta obra foi traduzida para o português por Anísio Teixeira [marxista simpatizante do socialismo fabiano. AO] e publicada pela Companhia Editora Nacional, sob o título História universal.

----------------- Notas de Plano do livro:
[i] Objeto físico a que se dá uma significação abstrata / Figura ou imagem que representa alguma coisa. [Koogan-Houaiss]. Portanto, tudo aquilo que seja simbolizado, tem que ter uma relação real e concreta. [AO] [ii] Chesterton está se referindo a figuras como o Uflington White Horse, desenho pré-histórico altamente estilizado, visível na encosta de uma montanha nas cercanias de Oxford. A figura foi recortada na turfa que cobre a montanha, revelando o calcário branco da rocha. Em virtude do ângulo da encosta em que foi desenhado, o cavalo só pode ser visto, parcialmente, por um observador postado no chão. É interessante notas que Chesterton havia escrito, em 1911, The Ballad of the White Horse [A balada do cavalo branco], poema épico sobre os feitos do rei saxão Alfred, o Grande, cujo desfecho se dá na mesma montanha. (N. do T.)


Uflington White Horse - Vista de Satélite

Uflington White Horse - visto a distância
Localização de Oxford

terça-feira, 1 de julho de 2014

HEREGES

Autor: G.K. Chesterton
Tradução: Antônio Emilio Angueth e Marcia Xavier de Brito
Editora: Ecclesiae
Assunto: Filosofia
Edição: 1ª
Ano: 2011
Páginas: 294

Sinopse: Hereges é uma obra em que G.K. Chesterton (1874–1936) esboça a própria filosofia ao identificar os pontos fracos nas filosofias de seus contemporâneos. Um “herege”, explica, é “um homem cuja visão das coisas tem a audácia de diferir da minha”. Sua crítica não se limita à análise de autores específicos. Tem um sentido mais geral. Partindo da análise dos erros de um conjunto heterogêneo de escritores modernos, explica o que considera estar errado com o pensamento do mundo moderno. Publicado em 1905, Hereges abre caminho para Ortodoxia, que surge três anos depois. Ortodoxia apresenta a filosofia de Chesterton no que chama de “conjunto de imagens mentais”. Hereges traz um relato mais analítico das filosofias dos escritores de seu tempo. Isso foi algo provocador. Na biografia de Chesterton, Maisie Ward (1889–1975) comenta sobre a animosidade com que o livro foi recebido. Críticos que tinham boas coisas a dizer sobre os escritos anteriores de Chesterton a respeito de Robert Browning (1812–1889) ou Charles Dickens (1812–1870) ficaram irritados ao perceber que ele voltara a atenção crítica para o que considerava “erros dos autores contemporâneos”.

A idéia central da filosofia chestertoniana está na importância do dogma. Numa era que celebrava o irracionalismo, Chesterton defendeu a razão. Ademais, insistiu que havia uma estreita ligação entre razão e religião. Como observou no capítulo final do livro, as verdades contestadas se transformam em dogmas. Por este ponto de vista, cada pensador é o fundador de um sistema filosófico que pode ser descrito como uma igreja. É por isso que num livro dedicado aos contemporâneos, Chesterton parece demonstrar pouco interesse nos traços pessoais ou nas fraquezas. Para ele, cada escritor era mais bem compreendido pelo exame do que chamava de “visão geral da existência” e, portanto, neste livro, um grupo de pensadores que quase não tinha interesse na religião formal é revelado como inconscientemente religioso.

Desejo que esta primeira tradução de Hereges para a língua portuguesa complemente e aprofunde a compreensão do universo sacramental deste grande autor católico.

Comentários de Ieda Marcondes: Publicado originalmente em junho de 1905, “Hereges” é o primeiro trabalho polêmico importante do jornalista e escritor inglês G.K. Chesterton. Pouco antes disso, ele havia se envolvido numa série de controvérsias com o editor do jornal Clarion, Robert Blatchford ‒ quem, curiosamente, abriu espaço em seu jornal para uma série de respostas do próprio Chesterton. Tais respostas e os seus artigos no jornal Daily News são a matéria-prima principal da visão única de vida que ele apresenta em “Hereges”.

Nascido em 1874, quando a religião e a ética vitoriana já estavam enfraquecidas, Chesterton foi criado em ambiente anglicano, mas, de acordo com o próprio autor, com pouco ou nenhum incentivo à crença ou prática religiosa. Em sua autobiografia, ele define o período de 1892 a 1895 como uma época de pessimismo e desespero, de uma obsessão incontrolável por idéias e imagens horríveis que o levavam a mergulhar cada vez mais fundo em um suicídio espiritual. Depois de certo tempo imerso nas “profundezas obscuras do pessimismo contemporâneo”, ele se revolta e cria, então, a teoria rudimentar de que a mera existência, reduzida aos seus limites primários, é extraordinária o suficiente para ser excitante. Conectado aos restos de um pensamento religioso por uma linha fina de gratidão, ele começa a ler os evangelhos; termos e imagens religiosas começam a aparecer cada vez mais em suas anotações.

Em 1896, Chesterton conhece sua futura esposa, Frances Blogg, quem exerce grande influência religiosa por toda a sua vida ‒ junto de outras figuras como o padre anglicano Conrad Noel e do historiador e escritor Hilaire Belloc. Já em 1904, em uma de suas respostas aos ataques de Robert Blatchford ao cristianismo no jornal Clarion, Chesterton diz, “Nós todos somos agnósticos até descobrirmos que o agnosticismo não vai funcionar”. Assim, com “Hereges”, é possível delinear o começo de um caminho que só chegaria ao seu destino em 1922, quando o autor finalmente se converte ao catolicismo.

No Brasil, pela editora Ecclesiae, é a primeira vez que uma edição em língua portuguesa de “Hereges” está sendo publicada. Apesar de chegar em momento não menos importante, o atraso que vinha desde o século passado é praticamente inexplicável. Uma das obras mais importantes de Chesterton, “Ortodoxia”, não poderia existir sem “Hereges”. Pois “Ortodoxia” foi escrita em resposta às críticas de “Hereges”; a primeira foi dedicada ao pai, a segunda foi dedicada à mãe; são, portanto, obras irmãs que se complementam e que conversam constantemente entre si. “Ortodoxia” apenas delimita e organiza de forma autobiográfica as conclusões que ele teve primeiro com “Hereges”. Ao mostrar o que implica em heresia, Chesterton ilustra o que implica em ortodoxia, e vice-e-versa.

“Hereges” apresenta vinte capítulos, cada um destinado a uma figura ou tendência moderna. Assim, o autor discute Rudyard Kipling, Bernard Shaw [marxista], H.G. Wells [marxista], o Comtismo, o “carpe diem” dos estetas, o Novo Jornalismo, a comunidade científica, entre outros. Para cada caso, ele emprega uma perspectiva teológica, analisando sua heresia e ressaltando a importância da ortodoxia. Dessa forma, Kipling é um herege por ser um cidadão do mundo, por não ter tempo ou paciência de se fixar definitivamente em nenhum lugar, ele representa o cosmopolitismo da sociedade moderna que avança e expande sem saber que a vida acontece quando nos enraizamos, quando nos prendemos em determinada causa ou comunidade; Shaw é um herege por não aceitar os humanos como são, por comparar homens com super-homens, com deuses ou gigantes, quando o segredo do cristianismo, e mesmo do sucesso em vida, está na humildade; Wells é um herege por duvidar do pecado original e da possibilidade da própria filosofia ao dizer que é impossível encontrar idéias seguras e confiáveis, que tudo sempre muda, mas são apenas as aparências que mudam, as idéias permanecem sempre as mesmas.

Ironicamente, a conclusão é a de que a maior heresia não é um conjunto de determinadas afirmações, mas a falta de crença em afirmação alguma. Pois até a blasfêmia depende de um ato de fé. A sociedade moderna, em nome da expansão e do progresso, escolheu não definir nenhum padrão do que é bom, nenhuma direção distinta a seguir, nenhuma convicção específica a adotar, mas progresso só é progresso quando sabemos para onde estamos indo e o que queremos exatamente. Para Chesterton, existe um pensamento que impede o pensamento, e esse é o único a ser combatido. Se pode existir uma evolução mental, ela só pode ter a ver com um aumento de certezas, de mais e mais dogmas, e não mais e mais dúvidas.

No final do livro, fica claro que Chesterton está discutindo o papel da religião em nossas vidas. Mas, em nenhum momento, ele espera provar que suas doutrinas são verdadeiras. Ele sabe que religião é, fundamentalmente, uma questão de fé e não de demonstração; a revelação não pode ser empiricamente comprovada. Apesar de prover algumas explicações sobre a existência humana ao demonstrar casos da experiência em que o materialismo simplesmente não satisfaz, o livro contém os mistérios que vão muito além da capacidade do pensamento humano. Para Chesterton, é a escuridão do mistério cristão que ilumina a todas as coisas. Ele diz que a religião não é uma coisa que pode ser excluída justamente porque ela inclui ao todo. Não é a razão que nos mantém sãos, mas o misticismo. Racionalmente, podemos duvidar de tudo e de todos, podemos acreditar na tese de que estamos todos em um sonho e de que nossa família e nossos amigos nada são além de criações da imaginação. É o misticismo, portanto, que nos permite afirmar a própria existência como um dogma religioso. Para nos tornarmos realmente conscientes e vivos, não podemos nos perder em pessimismo e ceticismo, mas afirmar o papel da religião e do dogma e nossas vidas: “Seremos daqueles que viram e mesmo assim acreditaram.” As obras de Chesterton impressionam por parecerem atuais, ao ponto de nos esquecermos da época em que foram concebidas. Ele aponta os erros em pensamentos e condutas correntes, como o vegetarianismo e a busca vazia de hábitos saudáveis, ou a descrença na monogamia e na instituição da família. Seus comentários são avançados para os dias de hoje no sentido em que vão contra as novidades e zelam por algo mais antigo e verdadeiro; seu conjunto de convicções é mais coerente e faz mais sentido do que o de algumas pessoas ainda muito bem vivas. Enquanto o pensamento moderno já parece desgastado por sua própria ineficácia em questões práticas, é bem provável que as obras de G.K. Chesterton permaneçam atuais e necessárias por muitos e muitos anos ainda.


G. K. Chesterton
Sobre o autor: Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton, (Londres, 29 de maio de 1874 — Beaconsfield, 14 de junho de 1936) foi um escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, filósofo, desenhista e conferencista britânico.

Era o segundo de três irmãos. Filho de Edward Chesterton e de Marie Louise Grosjean. Casou-se com Frances Blogg. Concluiu os estudos secundários no colégio de São Paulo Hammersmith onde recebeu prêmio literário por um poema sobre São Francisco Xavier. Ingressa na escola de arte Slade School de Londres (1893) onde inicia a carreira de pintura que vai depois abandonar para se dedicar ao jornalismo e à literatura. Escreveu no Daily News. Nascido de família anglicana, mais tarde converteu-se ao catolicismo em 1922 por influência do escritor católico Hilaire Belloc, com quem desde 1900 manteve uma amizade muito próxima.

Ao falecer deixou todos os seus bens para a Igreja Católica. A sua obra foi reunida em quase quarenta volumes contendo os mais variados temas sob os mais variados gêneros. O Papa Pio XI foi grande admirador de Chesterton a quem conhecera pessoalmente.

Curiosidade: Chesterton era daqueles sujeitos que não conseguem passar despercebido aonde quer que estejam. A irreverência, o bom-humor e a eloqüência, associados a dois metros e nove centímetros de altura e a um peso médio de 140 quilos, transformavam qualquer ambiente; quer uma festa de aniversário infantil ou um acalorado debate com Bertrand Russel.

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Nota: O grifos são do Editor deste blog.


ASSISTA AOS VÍDEOS DA PALESTRA DE LANÇAMENTO

Hereges - Prof. Antonio Emílio Angueth Araújo - Parte 1
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Hereges - Prof. Antonio Emílio Angueth Araújo - Parte 2
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Hereges - Prof. Antonio Emílio Angueth Araújo - Parte 4
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Hereges - Prof. Antonio Emílio Angueth Araújo - Parte 5
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Hereges - Prof. Antonio Emílio Angueth Araújo - Parte 6
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domingo, 1 de junho de 2014

TRÊS ALQUEIRES E UMA VACA



Autor: Gustavo Corção (1896-1978)
Editora: Agir
Assunto: Ensaio filosófico
Edição: 6ª
Ano: 1961
Páginas: 315

Sinopse: Pode-se dar uma idéia deste livro de Gustavo Corção citando trechos de seu capítulo sobre “um bom parceiro”: “uma das grandes alegrias que nos são dadas, neste mundo tantas vezes inóspito e doido, é o encontro de um bom parceiro de idéias” (p. 81). O autor desenvolveu o conceito inicial e, depois de falar de bisca, xadrez, mosteiros e casas de negócio, confessa ter encontrado em Chesterton um bom parceiro. É aí que nos dá a chave do seu livro e até mesmo de seu estilo.
Veja bem o leitor que não me estou gabando de aproximações literárias, mas de aproximações humanas. A afinidade de idéias é uma semelhança e não uma igualdade, equipara os ângulos, mas ressalva as proporções. Encontrei-me a mim mesmo em Chesterton, porque as mais simples e triviais idéias que para mim pareciam relíquias de família, desprezíveis nas altas esferas da cultura, eram suas idéias mestras, e eram realmente relíquias de família. E sobretudo, eram idéias regeneradoras e fecundas. Faça o leitor a mesma experiência. Leia Chesterton; jogue com ele esse melhor dos jogos, em que as idéias são atiradas de campo para campo, e em que o lucro pode perfeitamente ser a recuperação do tempo perdido que Proust, em quatorze volumes, não encontrou.
Ora, o convite de Gustavo Corção ao leitor, a propósito de Chesterton, nós o repetimos a propósito de Gustavo Corção. Faça o leitor a experiência: leia Gustavo Corção, leia este livro de Gustavo Corção. A falar da vida e da obra de um dos grandes escritores de nosso tempo – Chesterton – o leitor encontrará aqui um ensaísta dos mais lúcidos, um crítico dos mais inteligentes, um autor dos que melhor escrevem atualmente no Brasil.
Se o leitor conhece alguma coisa de Chesterton, compreenderá muito melhor a obra do extraordinário humorista inglês, depois do contato com este seu parceiro fiel, mais que um discípulo, pois sua “aproximação humana” com o Mestre muitas vezes conduz a uma equiparação real e legítima entre ambos, senão mesmo a uma superação, quando é o caso de transportar o espírito e as idéias do criador do distributismo ao exame dos acontecimentos e de criações posteriores a 1936, data de seu desaparecimento da vida e de seu aparecimento para o biógrafo: “não dei pelo seu desaparecimento, mas senti, com a impetuosa evidência de uma janela aberta, o seu aparecimento.” E se o leitor apenas ouviu falar de Chesterton aqui o encontrará vivo e estuante [ardente] e só fechará a última página de Três Alqueires e uma Vaca, para correr imediatamente à experiência a que foi convidado por Gustavo Corção.
Esta é sobretudo uma biografia de Chesterton, escrita à maneira de Chesterton.
A partir das ideias centrais do pensamento desse exuberante e humaníssimo escritor – a do mistério, a da fidelidade e a da propriedade – (“O humanismo de Chesterton”, “O homem e sua idéias”, “Para não ser doido”, “Para não ser bárbaro”, “Para não ser escravo”, são as cinco partes do livro), Gustavo Corção faz, a propósito de seu biografado, o mesmo que fez Chesterton a propósito de São Francisco de Assis ou de Santo Tomás, de Dickens, de William Blake ou de Robert Browning, isto é, preocupa-se menos com os incidentes de sua vida do que com a exploração e aplicação exaustiva de suas idéias, donde encontramos neste Três Alqueires e uma Vaca um riquíssimo e fecundíssimo material de pensamento. Enxameiam os ensaios de estética, de psicologia, de história, de religião, de política; reminiscências pessoais e páginas de crítica (sobre Poe, sobre Nietzsche, sobre Gide etc.) são misturadas a conceitos sobre liberdade, democracia, Estado, Nação, socialismo, capitalismo...
Gustavo Corção atinge – o próprio leitor o verificará – o ideal que se impôs, embora com certo ar desconfiado: “eu queria ser um gênio para convencer ao leitor que a idéia mais poética e mais maravilhosa do mundo está ligada à posse de três alqueires e uma vaca. Ou então, o que é muito mais fácil, eu queria que o leitor fosse um homem extremamente simples, para descobrir isto sozinho.
Sobre o autor: Gustavo Corção (Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1896 – Rio de Janeiro, 6 de julho de 1978) foi um escritor e pensador católico brasileiro, autor de diversos livros sobre política e conduta, além de um romance. Foi membro da antiga União Democrática Nacional (UDN) e um expoente do pensamento conservador no Brasil.
Sua obra é influenciada pelo Distributismo, a apologia católica do escritor inglês G.K. Chesterton, influência extensamente explicada no seu ensaio Três Alqueires e uma Vaca. Entretanto, uma outra influência sobre o seu pensamento veio do filósofo Jacques Maritain.
Formado engenheiro, Corção só obteve notoriedade no campo das idéias aos 48 anos, ao publicar o livro A Descoberta do Outro, narrativa autobiográfica de sua conversão ao catolicismo (influenciado por Alceu Amoroso Lima). Como engenheiro, era um apaixonado pela eletrônica. Foi durante anos professor dessa disciplina na Escola técnica do Exército, atual Instituto Militar de Engenharia. O amor à eletrônica e à música sacra levou-o a ser um estudioso e intérprete de órgão Hammond. Este instrumento musical tornou-se uma de suas paixões, tanto pela engenhosidade de sua construção como por sua sonoridade.
Sua produção literária e seu estilo foram considerados por muitos na mesma altura da de Machado de Assis, autor que o inspirou a produzir e publicar uma antologia (Machado de Assis, Livraria AGIR, Rio de Janeiro).
Sobre Gustavo Corção, Raquel de Queiroz afirmou em 1971: “A maioria dos brasileiros conhecem duas faces de Gustavo Corção. Uma, a do escritor exímio, a usar como ninguém a língua portuguesa, o autor que, vivo ainda, graças a Deus, é um indiscutível clássico da literatura nacional.[...]. A segunda face é a do anjo combatente, de gládio na mão, a castigar os impostores que vivem a gritar o nome de Deus e da Sua Igreja, não para os louvar, antes para apregoar na feira inocente-útil do ‘progressismo’.
Principais obras do autor:
·         A Descoberta do Outro
·         Três Alqueires e Uma Vaca
·         Lições de Abismo (Romance)
·         As Fronteiras da Técnica
·         Dez Anos
·         Claro Escuro
·         Machado de Assis
·         Patriotismo e Nacionalismo
·         O Desconcerto do Mundo
·         Dois Amores Duas Cidades
·         O Século do Nada
·         A Tempo e Contra-tempo
·         Progresso e Progressismo
·         As Descontinuidades da Criação

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A VIOLÊNCIA E O SAGRADO



Título original: La Violence et le sacré
Autor: René Girard
Tradução: Martha Conceição Gambini
Editora: Paz e Terra
Assunto: Ritos e cerimônias
Edição: 2ª
Ano: 1998
Páginas: 410

Sinopse: “A obra põe na arena da discussão a polêmica idéia de que os homens são governados por um mimetismo instintivo responsável pelo desencadeamento de ‘comportamentos de apropriação mimética’ geradores e conflitos e rivalidades de tal ordem, que a violência seria um componente natural das sociedades humanas a ser incessantemente exorcizado pelo sacrifício de vítimas expiatórias.
A função do sacrifício seria, assim, apaziguar a violência e impedir a explosão de conflitos decorrentes de rivalidades cada vez mais crescentes. Com o aumento das crises, os rivais passam a ser os próprios objetos da atenção mimética, o que, para Girard, acaba por produzir os ‘efeitos da vítima propiciatória’. Por um mecanismo estranho e dilacerador, a boa vítima passa a ser o alvo predileto da violência com uma força simbólica tão ampla que nenhum contra-ataque é mais possível de ser exercitado. De certa forma, não é o culpado que mais interessa, mas as vítimas não vingadas. É delas que vem o perigo mais imediato e é a eles que é preciso oferecer uma rápida satisfação para que uma reconciliação social, ainda que fortuita, seja conseguida”. (Edgard de Assis Carvalho)
            René Girard foi professor de literatura no início de sua carreira. Seus interesses, no entanto, ampliaram-se de tal forma que acabaram por transformá-lo num dos poucos pensadores atuais com pleno domínio de praticamente todo o espectro da cultura ocidental.
            A violência e o sagrado é uma brilhante amostra desse perfil. Passando por um rigoroso exame as principais teorias sobre as origens da civilização, Girard centra suas reflexões no que considera ser os eventos primordiais do processo civilizatório. Destacando o papel da violência fundadora, apresenta uma nova teoria do sagrado, que lhe permite um reexame dos temas místicos e rituais (a festa, os gêmeos, os irmãos inimigos, o incesto, a ambivalência do modelo, o duplo, a máscara, entre outros). Tais temas, por sua vez, são interpretados como elementos integrantes de uma profunda e essencial interdependência, a exigir um tratamento abrangente e não especializado.
Para realizar esse estudo, Girard cumpre um percurso que transita por uma luminosa releitura dos trágicos gregos e das principais teorias, como a psicanálise, que tem buscado uma explicação global das primeiras instituições sociais e culturais da humanidade.
Apesar da abrangência, da profundidade e do rigor científico com que elabora seus temas, A violência e o sagrado não se perde na aridez ou no formalismo. Muito ao contrário, nutre-se de um estilo que consegue ao mesmo tempo transmitir o interessa, a aura e a graça dos grandes textos literários.

Sobre o autor: René Girard, antropólogo, pensador e crítico literário francês, nasceu em Avignon, em 25 de dezembro de 1923, e se formou em paleografia pela École Nationale des Chartes. Depois da Segunda Guerra transfere-se para os EUA, onde desenvolve carreira universitária, obtendo doutorado na universidade de Indiana. Trabalha como professor de literatura na Universidade de Nova Iorque, John Hopkins. Atualmente leciona na Universidade de Stanford, na Califórnia.